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Economistas da FIERGS e FARSUL apontam desafios fiscais e gargalos produtivos em palestra na CIC Caxias

por Alice Corrêa

Giovani Baggio e Antônio da Luz analisaram os cenários da economia brasileira e gaúcha, destacando a urgência de reformas estruturais e qualificação profissional para o desenvolvimento sustentável

Foto: Júlio Soares/Objetiva 

A Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC Caxias) recebeu nesta segunda-feira (03) os economistas Giovani Baggio, da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS), e Antônio da Luz, da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (FARSUL), para a palestra Cenários Econômicos do Brasil. O encontro reuniu empresários e lideranças regionais interessados em compreender os rumos da economia nacional e os reflexos no setor produtivo gaúcho.

Abrindo o painel, Giovani Baggio apresentou dados atualizados da FIERGS sobre o desempenho econômico do país e os principais entraves ao crescimento. Ele destacou a deterioração fiscal e o risco de perda de credibilidade internacional do Brasil caso não haja ajuste nas contas públicas.

“O Brasil enfrenta um grave problema fiscal. O déficit do setor público consolidado atingiu patamares recordes e precisa de contenção de gastos para que possamos retomar a confiança e a capacidade de investimento”, alertou o economista.

De acordo com levantamento da FIERGS, o déficit acumulado do setor público chega à média de R$ 900 bilhões no atual governo, valor superior à média das gestões anteriores.

Baggio também mencionou que as despesas discricionárias, aquelas que o governo pode ajustar, vêm diminuindo progressivamente e devem representar apenas 0,1% do PIB até 2029, limitando a capacidade do Estado de investir em infraestrutura e inovação.

“Quando o orçamento está engessado, sobra pouco espaço para políticas públicas de estímulo à economia”, explicou.

Outro dado preocupante citado foi a escassez de mão de obra qualificada. Segundo pesquisa da FIERGS, 85,5% das indústrias gaúchas relatam dificuldade em preencher vagas técnicas, o maior índice já registrado.

“Esse é um gargalo que trava a produtividade. Sem trabalhadores preparados, as empresas não conseguem crescer, mesmo quando há demanda”, ressaltou Baggio.

Na sequência, o economista Antônio da Luz, da FARSUL, trouxe uma análise complementar, enfatizando a importância do agronegócio na sustentação da economia brasileira e a necessidade de previsibilidade e estabilidade fiscal para o setor rural.

“O agronegócio tem sido o grande amortecedor das crises, mas também sofre quando há insegurança nas regras e aumento de custos. Precisamos de reformas que incentivem o investimento e garantam competitividade”, afirmou.

Da Luz também destacou que o crescimento sustentável depende de produtividade, tecnologia e eficiência, e não apenas de incentivos pontuais.

“Não há crescimento duradouro com gasto público descontrolado. É preciso eficiência e ambiente de negócios estável. Só assim o Brasil poderá crescer com base sólida, e não em ciclos artificiais”, completou.

Na abertura do encontro, o presidente da CIC Caxias, Celestino Oscar Loro destacou a relevância de promover debates que aproximem os diferentes setores da economia e ofereçam subsídios para decisões empresariais mais seguras.

“Reunir as visões da indústria e da agropecuária é fundamental para compreender o todo. A CIC tem esse papel de fomentar conhecimento e diálogo”, afirmou.

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