Oficinas de audiovisual promovem inclusão e formação em comunidades de Caxias do Sul
Projeto idealizado pelo diretor Le Daros leva capacitação gratuita em roteiro e fotografia a quatro regiões da cidade, com foco em grupos minoritários e inclusão de pessoas com deficiência.
Um projeto que une arte, inclusão e formação chega a diversas comunidades de Caxias do Sul ao longo desta semana. As Oficinas Especializadas de Audiovisual, idealizadas pelo produtor, roteirista e diretor Le Daros, oferecem dois dias de imersão em temas como escrita de roteiro e fotografia para vídeo — linguagem cada vez mais presente no cotidiano por meio das redes sociais. A iniciativa é financiada pela Prefeitura de Caxias do Sul, por meio da Secretaria Municipal da Cultura e da Lei Paulo Gustavo, com produção cultural de Patricia Pagano Fülber.
O lançamento das oficinas aconteceu na AMOB São Vicente, nos dias 20 e 21 de junho. Ainda nesta semana, as atividades seguem em outros três locais: AMOB Fátima, Centro Dia Caxias (Amafa) e Sindicato dos Metalúrgicos. As oficinas são gratuitas e abertas à comunidade, com vagas prioritárias para grupos minoritários como negros, mulheres, LGBTQIAPN+ e pessoas com deficiência. As inscrições podem ser feitas no link: linktr.ee/oficinasaudiovisuais.
A programação contempla um dia dedicado à criação de roteiros, com Le Daros, e outro à fotografia para vídeo, ministrado pelo cineasta Bruno Polidoro, conhecido por seu trabalho na cinematografia nacional.
“Isso surgiu ano passado, quando foi lançado um edital complementar da Lei Paulo Gustavo focado em atividades de ensino nas artes do audiovisual. Como já tenho experiência com workshops de roteiro, pensei: por que não levar esse conteúdo para comunidades que normalmente não têm acesso a ele?”, conta Le Daros.
“A ideia é romper com essas barreiras entre o conteúdo audiovisual e o público que não está inserido nesse meio universitário. As oficinas são práticas, com exercícios que despertam a criatividade e ajudam as pessoas a se expressarem melhor por meio do vídeo. É uma vivência lúdica, formativa e, muitas vezes, transformadora”, completa.
Embora o foco não seja profissionalizante, Le destaca que o contato com o audiovisual pode despertar interesses e abrir portas para novos caminhos:
“Mesmo que os participantes não sigam carreira na área, esse conhecimento é valioso. Entender como se constrói um roteiro, como compor uma imagem, até mesmo com o celular, pode ajudar a registrar histórias, divulgar serviços e se expressar melhor no dia a dia”, afirma.
“O audiovisual é a linguagem que mais cresce no mundo. Tudo passa pelo vídeo hoje em dia. Então, por que não democratizar esse conhecimento?”, questiona.
Arte que inclui
No Centro Dia Caxias (Amafa), onde a oficina acontece de forma fechada para os usuários da instituição, o impacto é ainda mais especial. A coordenadora Aline Salvador destaca a relevância da experiência para o público com deficiência.
“É uma experiência única. Ver nossos usuários em contato com o processo de criação de um filme, entendendo como se estrutura um roteiro, é inovador para eles”, comenta.
“Esse público, que muitas vezes não frequenta salas de cinema ou eventos culturais, está recebendo esse conteúdo aqui dentro, com acessibilidade e carinho. A alegria que eles demonstram ao participar é maravilhosa”, completa Aline.
O Centro Dia atende adultos com múltiplas deficiências em turno integral ou parcial, oferecendo alimentação, cuidados básicos, atividades de socialização e convivência. Para Aline, ações como essa são essenciais para garantir a inclusão plena.
“Qualquer ação que traga entretenimento, cultura ou informação para nossos usuários é bem-vinda. Estamos sempre abertos para receber mais iniciativas como essa, que mostram que todos têm direito ao acesso cultural”, finaliza.
As últimas oficinas abertas ao público acontecem nesta sexta-feira (28), com roteiro, e no sábado (29), com fotografia, no Sindicato dos Metalúrgicos. As inscrições seguem abertas até o preenchimento total das vagas.
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