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Sopaporiki e Girafa da Cerquinha entram em circulação em Caxias do Sul

por Beverli Rocha

Espetáculos infantil e adulto com apresentações gratuitas na Sala de Teatro Valentim Lazzarotto

Foto: Náthaly Weber

Na quarta-feira, dia 25, o projeto Palcos Amefricanos RS - Circulação Sopaporiki e Girafa da Cerquinha chega a Caxias para duas apresentações gratuitas: à 14h tem o espetáculo Girafa da Cerquinha e, às 19h, Sopaporiki, ambos na Sala de Teatro Valentim Lazzarotto. As duas montagens têm à frente o poeta, músico e performer Richard Serraria. Além das apresentações, o público também é convidado a participar das Rodas de Tamboralitura.

O Sopapo, tambor tradicional negro-gaúcho, está na centralidade das obras em circulação, contribuindo para a valorização do patrimônio cultural e a contribuição do povo negro para a construção da identidade cultural do Rio Grande do Sul. Palcos Amefricanos RS - Circulação Sopaporiki e Girafa da Cerquinha está sendo realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc.

Conheça a estrutura dos espetáculos: o Girafa da Cerquinha é um reconto de uma história entoada originalmente pela mestra griô Sirley Amaro. Conta a fábula da girafa, animal que teria vindo da África num navio e que escolhe ir para Pelotas no bairro da Cerquinha, cidade em que havia um carnaval burlesco com nomes de bichos. Uma recontação de história infantil com o tambor sopapo sendo tocado de maneira continuada envolvendo a criançada numa vivência lúdica com as batidas características do grande tambor negro gaúcho. Cada batida negra sonoriza um nome de bicho, personagens da narrativa. 
Sopaporiki é um espetáculo musical de tambor centrado, criado e performado por Richard Serraria com direção cênica de Leandro Silva, em que a presença do Sopapo, instrumento musical e também artefato político ligado ao povo negro do Rio Grande do Sul, costura a narrativa, exigindo adequação do performer e poeta às diferentes linguagens artísticas mobilizadas para a materialização do espetáculo. Com seu conteúdo amefricano, afirma a potência das epistemologias negras no Brasil atual, num acúmulo de pesquisas e atuações em torno do tambor de sopapo e a contribuição negra na literatura e na música, ou ainda junto ao encontro com a poesia dos orikis da matriz iorubá da África.  
Rodas de Tamboralitura são atividades formativas (oficinas) no formato de vivências lúdicas relacionadas a cada um dos espetáculos e seus respectivos públicos, e promovem um espaço de contato com o tambor no qual os participantes são convidados a passar a textualidade poética dos espetáculos para o plano da oralidade e do corpo.
  
 

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