Ponto de Memória de Galópolis retoma encontros e reforça protagonismo da comunidade na valorização cultural
Com metodologia participativa e reuniões quinzenais até novembro, o projeto mobiliza moradores para identificar, pesquisar e preservar os patrimônios culturais do bairro caxiense.
Foto: Cíntia Moschen
Criado com a missão de promover a autonomia da comunidade na gestão de seus patrimônios culturais, o Ponto de Memória Inventário Participativo de Galópolis retomou suas atividades no dia 6 de maio. Desde então, o salão do campo de futebol da localidade recebeu três encontros, e outro já está agendado para o dia 17 de junho, ainda dentro do primeiro semestre. As reuniões seguem quinzenalmente até novembro, dando continuidade ao processo iniciado oficialmente em março de 2022.
Coordenado por Geovana Erlo, com gestão criativa de Juli Pandolfo, o projeto tem como essência a participação direta dos moradores em todas as etapas de identificação e valorização das referências culturais locais. Geovana destaca que as pesquisas sobre os patrimônios culturais do bairro começaram ainda em 2020, culminando naquele ano no lançamento do podcast Memórias de Galópolis. Desde então, a comunidade passou a atuar de forma coletiva na valorização de bens materiais, imateriais e naturais da região, em um processo contínuo que já ultrapassa 80 encontros.
“Desde o início da iniciativa, colocamos em prática o conceito da museologia social, que defende os museus e experiências museológicas como espaços de participação e uso comunitário. Há três anos, engajamos a população local em diferentes encontros para discutirmos temas ligados ao patrimônio cultural e como ele está presente na realidade do bairro e do município até hoje”, explica Geovana.
O método adotado é o do inventário participativo, estruturado em cinco etapas: identificação das referências culturais; seleção de um ponto para aprofundamento das pesquisas; desenvolvimento dessas pesquisas com base em acervos históricos oferecidos pela própria comunidade; divulgação dos resultados; e, por fim, a autoavaliação do processo, com análise dos pontos positivos e aspectos que podem ser aperfeiçoados para as próximas ações.
Geovana reforça que as ações não são limitadas pelo tempo, já que a própria comunidade impulsiona o ritmo e as prioridades do projeto: “A comunidade de Galópolis se transforma continuamente, modificando também as visões que as pessoas têm sobre o que é, ou não, patrimônio ou referência cultural. Por isso, nossas ações surgem das dinâmicas dos próprios habitantes, que são os protagonistas deste processo”.
Participação aberta e reconhecimento institucional
Os encontros do Ponto de Memória são abertos a qualquer interessado, não se restringindo apenas aos moradores do bairro. Moradores de outras localidades de Caxias do Sul também participam das atividades, ampliando o alcance da iniciativa e democratizando o acesso e a construção do conhecimento.
O Inventário Participativo de Galópolis é certificado como Ponto de Memória pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) e como Ponto de Cultura pelo Ministério da Cultura (MinC). O reconhecimento institucional inclui também premiações que destacam sua função social e relevância no campo da preservação cultural.
O projeto conta com financiamento do FINANCIARTE, da Secretaria Municipal da Cultura (SMC) de Caxias do Sul, e com o apoio da Prefeitura Municipal, por meio da SMC.
Mais informações podem ser obtidas pelo site www.inventarioparticipativodegalopolis.com, pelo Instagram @inventariogalopolis, pelo e-mail [email protected] ou pelo WhatsApp: (54) 99696-0634.
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