Você está ouvindo
Tua Rádio
Ao Vivo
14:00:00
Em Alta
18:00:00
 
 

Sinal de recuperação na América do Sul

Miguel Debiasi

 

Normalmente divulgamos mais os fatos negativos do que os positivos. As grandes empresas de comunicação social são uma escola na distorção da realidade e dos fatos. Até entendemos que as empresas precisam de milhões de dólares para subsistirem com seus negócios. Mas não aceitamos a subserviência a informações inverídicas. Hoje, pesquisar sobre a verdade dos fatos é uma tarefa libertadora.

O negativo produz ibope. Facilmente potencializamos comentários pessimistas sem a mínima interrogação pela realidade e verdade. Ninguém está imune deste poderio destruidor, basta um ato maléfico para encobrir uma vida correta e justa. Jesus Cristo foi vítima dos perversos comentários das autoridades religiosas e políticas de seu tempo (Mateus 23,13-36). Na divulgação do negativo há sempre uma intenção.

Qual cidadão do mundo que nos últimos anos não ouviu uma informação negativa a respeito dos países como da Venezuela e Cuba. A Venezuela, talvez ela não seja mundialmente conhecida por suas vastas reservas de petróleo, nem tanto pela diversidade ambiental do seu território e por seus diversos recursos humanos. Mesmo sendo um país megadiverso, com uma fauna diversificada e uma grande variedade de habitats naturais protegidos. Poucos têm conhecimento da riqueza natural da Venezuela.

Desconhece-se que o território venezuelano foi colonizado pelo Império Espanhol em 1522, apesar da resistência dos povos nativos, os originários. Em 1811, tornou-se uma das primeiras colônias hispano-americana a declarar a independência, mas consolidada apenas em 1830, quando a Venezuela deixou de ser um departamento da Grã-Colômbia. Durante o século XIX, o país sofreu com instabilidade política provocada pela autocracia, dominado por caudilhos regionais até meados do século XX. A partir de 1958, houve uma série de governos democráticos.

Em 02 de fevereiro de 1999 aconteceu a chamada Revolução Bolivariana, uma conquista política socialista liderada pelo então presidente Hugo Chávez (1954-2013). Através de uma Assembleia Constituinte elegeram uma nova Constituição Federal, garantindo leis e princípios básicos como da soberania sobre sua maior riqueza, o petróleo e promulgando leis para o bem-estar social da população, da redução da pobreza e da desigualdade econômica.

Mas com a Revolução Bolivariana, a Venezuela começou a sofrer um boicote internacional, articulado pelos EUA e de seus grandes grupos econômicos interessados em continuar explorando a maior riqueza do país, o petróleo. Deste então, a Venezuela passa a sofrer sanções e controle internacional. Em contrapartida, para defender a soberania nacional e suas riquezas, o governo assume posições políticas por assegurar sua independência, postura esta classificada pela imprensa de um Estado autoritário.

Com apoio da mídia e destes grandes grupos econômicos, a Venezuela passou a ser atormentada por todo tipo de insurreições internas. Insurreição financiada por poderosos grupos com objetivo de desestabilizar o governo do país. Com este financiamento vieram as crises sociais, políticas e econômicas, a desestabilização como a hiperinflação, escassez de bens básicos, desemprego, doenças, mortalidade infantil, subnutrição, criminalidade, corrupção. Vítimas desta realidade muitos venezuelanos deixaram o país, algo como ocorre com qualquer outro do Terceiro Mundo dos Subdesenvolvidos.

Como se não bastasse essa pressão planejada e financiada, com o resultado das eleições de 2024 agravou-se as crises, construíram-se as dúvidas, incertezas e uma desconfiança internacional. As organizações como Carter Center e Organização dos Estados Americanos, todas dos EUA, não aceitam o resultado das eleições, fazendo diariamente mais pressão sobre o atual presidente Nicolás Maduro, principal líder político do país e militante da política revolucionária.

Hoje, o que não faltam são informações negativas da Venezuela, de Cuba, embora grande parte não passe de fake News. Mas entre tantos negativos há algo muito positivo em favor da Venezuela que é o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Por mais incrível que pareça, é o maior da América do Sul, por dois anos consecutivos. Conforme dados do relatório anual da Comissão Econômica para América Latina e Caribe e (Cepal), a Venezuela registrou uma taxa de crescimento de 5% em 2023 e em 2024 deve superar este número. Enquanto, a Argentina, das boas notícias midiáticas e dos grupos econômicos, apresentou a maior queda, com 3,6% e 117% a taxa de inflação de 2024.

Segundo o secretário executivo da Cepal, José Manuel Slazar-Mirinachs, o bom desempenho da Venezuela é resultado do conjunto de saídas encontradas pelo governo de Nicolás Maduro para superar os imensos obstáculos gerados por mais 930 sanções econômicas impostas unilateralmente pelos EUA. O crescimento econômico e o plano de recuperação da Venezuela foram classificados como invejáveis pela Cepal. Num cenário de incerta global, a inflação mensal da Venezuela continua em queda, no mês de setembro foi de 0,8%, isto reflete que o plano de recuperação do país está em bom caminho, diz o secretário.

Livre de qualquer preconceito e de inverdades, que venham também da Venezuela, de Cuba e de qualquer outro país da América Latina as boas notícias. E que a verdade possa libertar a população mundial das fake News e da cultura preconceituosa contra os sistemas contrários ao capitalismo. Nunca teremos um mundo todo capitalista ou socialista. Qualquer ingênuo sabe que ambos precisam evoluir para bem dos povos.

Obviamente que por detrás dos negativos da Venezuela há uma intenção, não dos pobres, mas dos poderosos interessados nos vastos campos de petróleo do país. Jesus Cristo havia alertado aos discípulos das narrativas perversas da elite religiosa-política-econômica do seu tempo. Como disse o Mestre da fé e da sabedoria humana: “a verdade vos libertará” (João 8,32).

Sobre o autor

Miguel Debiasi

Frade da Província dos Capuchinhos do Rio Grande do Sul. Mestre em Filosofia (Universidade do Vale dos Sinos – São Leopoldo/RS). Mestre em Teologia (Pontifícia Universidade Católica do RS - PUC/RS). Doutor em Teologia (Faculdades EST – São Leopoldo/RS).

Enviar Correção

Comentários

Newsletter Tua Rádio

Receba gratuitamente o melhor conteúdo da Tua Rádio no seu e-mail e mantenha-se sempre atualizado.

Leia Mais