Outro século manchado com sangue dos inocentes
Toda guerra representa o fracasso da diplomacia política mundial e do nacionalismo exacerbado. O resultado da guerra é um banho de sangue e a ascensão de ideologias políticas autoritárias. No século XXI, está em ascensão a barbárie humana promovida por autoridades tiranas e financiada por Estados e governos opressores. A população mundial está diante de “um barril de pólvora”, basta um passo a mais dos tiranos e ele explode.
As duas Guerras Mundiais do século XX deixaram um número colossal de mortes, entre 50 a 85 milhões, sofrimento humano, envolvendo 72 nações de todos os continentes. Estes dois conflitos mundiais são considerados os mais sangrentos e devastadores da história da civilização humana. O resultado foi a devastação humana, milhares de mutilados e traumas sociais e familiares. As perdas econômicas e de infraestrutura foram imensuráveis.
As potências mundiais saíram enfraquecidas diante de suas colônias, abrindo caminho para a descolonização na Ásia e na África. As guerras impulsionaram o desenvolvimento bélico, tecnológico e científico, que influenciou a sociedade, a indústria e os conflitos armados nos anos posteriores.
Sinal do uso tecnológico da Segunda Guerra Mundial foi o lançamento das bombas atômicas sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki, do Japão. Os Estados Unidos lançaram a bomba sobre Hiroshima, em 6 de agosto de 1945 e, três dias depois, sobre a cidade de Nagasaki. Na cidade de Hiroshima causou entre 90 a 166 mil mortes, incluindo as causadas diretamente pela explosão e as provocadas pela exposição à radiação nos meses seguintes. Em Nagasaki, foram de 60 a 80 mil até o final daquele ano.
Após a Segunda Guerra Mundial, em 24 de outubro de 1945, foi criada a Organização das Nações Unidas (ONU). Na criação da ONU participaram 51 países que ratificaram a Carta das Nações Unidas, com cinco membros permanentes do Conselho de Segurança: China, França, Reino Unido, Estados Unidos e União Soviética, atual Rússia.
A ONU foi criada com o objetivo de manter a paz e a segurança internacional, promover a cooperação entre as nações para resolver problemas de ordem econômica, social, cultural e humanitária além de proteger os direitos humanos e as liberdades fundamentais em todo o mundo.
Atualmente, a ONU com seus 193 Estados-membros, se estabelece como organização global para discutir e resolver questões que afetam a humanidade, desde a paz e segurança até questões de desenvolvimento e direitos humanos. Ela substitui a Liga das Nações, que havia sido criada após a Primeira Guerra Mundial, com o objetivo de evitar conflitos futuros, mas que não foi eficaz em sua missão.
A ONU é financiada por contribuições dos seus Estados-membros, que são divididas em duas categorias: contribuições avaliadas e contribuições voluntárias. As contribuições avaliadas são baseadas numa fórmula complexa que considera o tamanho da economia do país, sendo os Estados Unidos o maior contribuinte. As contribuições voluntárias são feitas por Estados-membros, agências e fundos específicos.
O cargo mais importante na ONU é o de Secretário-Geral, que atua como o mais alto funcionário da organização e é o chefe do Secretariado da ONU. Atualmente, o cargo é ocupado pelo diplomata português, António Guterres, que lidera a organização e seus funcionários internacionais no dia a dia, trabalhando para alcançar a paz e a justiça globais.
Relatórios anuais da ONU apresentam que há dezenas de conflitos armados em curso, de oito a dez deles em larga escala, como: a Guerra na Ucrânia que iniciou em 2022; o conflito entre Israel e o Hamas que iniciou em outubro de 2023; as guerras civis no Sudão que iniciaram em 15 de abril de 2023; guerra em Iêmen que iniciou em setembro de 2014; guerra na Síria que iniciou 15 de março de 2011; guerra na Etiópia que iniciou em 02 de novembro de 2022; guerra em Afeganistão que iniciou em 07 de outubro de 2011; guerra na Somália que iniciou no final de janeiro de 2009. As causas das guerras e conflitos armados incluem disputa por território, tensões econômicas, rivalidade entre potencias globais e as alterações climáticas.
O Secretário-geral da ONU, António Guterres, vem denunciando para as autoridades mundiais que o número de conflitos armados no mundo atingiu o nível mais alto desde o fim da Guerra Fria, em 1991. O número de mortes em conflitos armados é o mais alto em décadas. A quantidade de pessoas deslocadas à força devido às guerras e conflitos armados atingiu maiores níveis históricos e continua a crescer pelo 12º ano consecutivo, chegando em 2023 a um novo recorde de 120 milhões de pessoas. Os índices de pobreza chegam a 1,1 bilhão de pessoas, o mais alto da história da humanidade.
A ONU, com sua atual forma representativa e de decisão, onde os Estados Unidos tem o controle sobre as decisões, tornou-se um órgão incapaz de resolver os conflitos mundiais. Há a complexidade do processo de tomada de decisão, que é dificultado pela divergência de interesses entre os Estados-membros, a falta de poder para impor soluções e de lidar com as causas profundas dos conflitos, como a pobreza, desigualdade e crises climáticas, que desestabilizam regiões e aumentam a violência. A ONU tornou-se incapaz e refém do seu maior contribuinte, os EUA. Enquanto isto, vê-se a terra cada vez mais encharcada de sangue de inocentes.
Comentários