Você está ouvindo
Tua Rádio
Ao Vivo
18:00:00
Encontro Certo
19:00:00
 
 

Gratidão pelo ano de 2025

Miguel Debiasi

Todo final de ano, os sentimentos, emoções, crenças, pensamentos interpelam nossas memórias e experiências. Na medida em que o ano se encerra, buscamos respostas sobre o que passou e olhamos para frente, planejando o futuro. Ainda que o ano não tenha sido perfeito em tudo, encontramos motivos para expressar gratidão a Deus e às pessoas que conviveram conosco. 

O tempo envolve o ser humano de maneira complexa. Os primeiros seres humanos usavam fenômenos naturais para se orientar no tempo, como a posição do sol, as fases da lua, as marés, os ciclos de plantio e colheita. Para lidar com o tempo, fazemos a contagem baseada em ciclos naturais, como o dia, semanas, meses e estações. As sociedades organizam o tempo através dos calendários, relógios e cronômetros.

Na experiência subjetiva, o tempo pode variar muito. Às vezes, parece passar rápido e, em outras, lentamente, dependendo das circunstâncias e do estado psicológico do indivíduo. Em nosso contexto, faz-se do tempo uma oportunidade para o trabalho, produção, comércio, para cumprir metas e alcançar resultados. Na lógica utilitarista, o tempo pode ser fonte de estresse por não alcançar aquilo que foi projetado para ele.

Santo Agostinho (354-430 d.C.), teólogo e filósofo, refletiu sobre o tempo como uma experiência subjetiva e psicológica, presente na alma através da memória, da atenção e da expectativa. Se não nos perguntarem, sabemos o que é o tempo; se nos perguntarem, não sabemos mais explicar, porque ele não tem existência física, mas sim uma existência “na alma” enquanto algo é recordado, esperado ou prestes a acontecer, argumenta Santo Agostinho.

Para o filósofo grego Heráclito (540-470 a.C.), o tempo é a constante mudança e movimento. Tudo está em “devir”, em constante transformação e fluxo, como um rio no qual não se pode entrar duas vezes na mesma água. Immanuel Kant (1724-1804), filósofo alemão, considera o tempo uma forma e uma condição necessária para a mente humana organizar a experiência. O tempo não existe fora do espírito.

O filósofo francês Henri Bergson (1859-1941), distinguiu o tempo vivido (duração) do tempo medido pelos relógios. A duração é uma experiência qualitativa e subjetiva da passagem do tempo, enquanto o tempo quantificado é uma abstração objetiva.

O autor do livro do Eclesiastes, diz “que para tudo há um tempo, e para cada propósito debaixo do céu” (Eclesiastes 3,1). Pensamento oportuno para o fim do ano, que lembra que cada fase tem seu tempo e propósito, provocando reflexão sobre o passado e abre a esperança no futuro. Neste período, se faz a memória de todas as coisas da vida, boas ou ruins, tem sua importância e propósito.

Segundo a Gazeta do Povo, considerado o maior jornal do Paraná e de cunho conservador, a avaliação de 2025 para os brasileiros é positiva. A percepção positiva dos brasileiros estaria ligada às melhorias que ocorreram na vida pessoal, na área social, da saúde, na economia, com o crescimento do poder de compra das famílias, do controle da inflação e na oferta de empregos.

O Jornal do Comércio do Rio Grande do Sul, com foco em negócios, destaca o crescimento econômico de 2025 impulsionado pelas exportações. A Folha de São Paulo e o Globo, jornais de cunho conservador projetaram em final de 2024 que 2025 seria péssimo para os brasileiros por conta do não crescimento da economia e da renda das famílias.

O instituto de pesquisa Datafolha, que atua com o levantamento eleitoral e estatístico do mercado, publicava no final de 2024 uma pesquisa mostrando o pessimismo dos brasileiros em relação a 2025. Todas as previsões sobre 2025 realizadas pelas empresas de meios de comunicação do país, na sua grande maioria propriedade dos grupos políticos e econômicos, indicavam o pessimismo dos brasileiros, em relação à economia e a gestão do governo federal.

Mas, depois de termos vivido os 365 dias, observa-se que o tempo de 2025 não passou em vão para as pessoas, famílias, empresas, governo e para a sociedade em geral. A ONU (Organização das Nações Unidas), valorizou o trabalho do governo federal por ter retirado novamente o Brasil do Mapa Mundial da Fome. O FMI (Fundo Monetário Internacional) mudou de opinião e reconheceu a saúde financeira do país. O Banco Mundial, voltou atrás e apresenta o Brasil para o mundo como um país estável e confiável, com previsão de crescimento econômico acima da média de muitos países, como os da Europa e da América Latina.

Independente das opiniões dos jornais, meios de comunicação, e órgão mundiais, o povo brasileiro fará sua própria avaliação de 2025. Sua avaliação não será conduzida com o filtro das ideologias políticas, dos interesses dos grupos políticos e econômicos. Mas, a partir do próprio bolso, do ganho salarial das famílias, das melhoras das condições de vida, do acesso a saúde, ao trabalho, a educação, aos serviços públicos, da compra de bens.

No dizer de Santo Agostinho, o tempo não existe “fora da alma humana”, ou seja, sendo experiência ou o vivido com qualidade de vida e crescimento humano e espiritual. Para Kant, o “tempo não existe fora do espírito”, assim dizendo, é como uma lente de óculos que todos usamos para enxergar o mundo e como estamos vivendo nele. Como define o Henri Bergson, o “tempo é duração”, em outros termos, a nossa experiência que não pode ser separada do real. Para Heráclito, o “tempo é movimento”, o que quer dizer, que tem poder de transformação da vida e de suas condições.

Seja como forem as compreensões do tempo, é do ser humano pensar o tempo e projetar-se nele. Então, 2025 está sendo concluído, talvez para milhões de brasileiros, tenha sido o tempo da transformação, da mudança de mentalidade, da passagem para o melhor social, para o mais ético, justo e digno.

Ao ano que termina a gratidão a Deus e a todos por ter estado nele, vivido como experiência, duração, espírito e movimento em direção ao melhor da vida e da nação.   

Sobre o autor

Miguel Debiasi

Frade da Província dos Capuchinhos do Rio Grande do Sul. Mestre em Filosofia (Universidade do Vale dos Sinos – São Leopoldo/RS). Mestre em Teologia (Pontifícia Universidade Católica do RS - PUC/RS). Doutor em Teologia (Faculdades EST – São Leopoldo/RS).

Enviar Correção

Comentários

Newsletter Tua Rádio

Receba gratuitamente o melhor conteúdo da Tua Rádio no seu e-mail e mantenha-se sempre atualizado.

Leia Mais