Você está ouvindo
Tua Rádio
Ao Vivo
07:00:00
Conectado
09:00:00
 
 

Brasil sobe no patamar global

Miguel Debiasi

 

A economia como pilar essencial para humanidade não pode colocar as outras dimensões como a ética, ecologia, cultura, em segundo plano. A economia é fundamental para promover o desenvolvimento humano. O desenvolvimento humano é um parâmetro para avaliar as políticas públicas dos países.

O século XIX e XX foram marcados por profundas mudanças. Elas são evidentes como em países que consolidaram os sistemas democráticos, com a promulgação dos direitos humanos, com o aumento das liberdades, da expectativa de vida da população dos avanços econômicos e do desenvolvimento tecnológico. Há também progressos nas áreas da comunicação, da informação, nas ciências e no desenvolvimento da inteligência artificial, entre e outros avanços. 

Na mesma realidade, observa-se que persiste a fome coletiva, a pobreza, a violação das liberdades políticas, a negligência das condições dos idosos, imigrantes, crianças e mulheres. O agravamento das crises ambientais, aquecimento global, perda da biodiversidade, poluição do ar e da água, desmatamento, desertificação e a contaminação do solo. Todos estes fatores impactaram na qualidade de vida, na saúde e na sustentabilidade econômica e do planeta Terra.

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é medido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) com base em três dimensões fundamentais da sociedade: saúde (esperança de vida), educação (perspectiva e média de anos de escolaridade) e padrão de vida (Renda Bruta Nacional per capita).

Nas décadas de 50 a 70, as políticas de desenvolvimento da América Latina enfatizavam a necessidade de promover o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), da renda com a acumulação de capital isso viria pela industrialização. O processo de industrialização aumentou o número de fábricas e empregos, mas provocou o fenômeno da urbanização. Com isto, veio a necessidade de melhoria da infraestrutura, saneamento básico, escolas, hospitais, transporte, demanda que não foi suprida para a grande maioria da população.

A partir da década de 1990, a ONU e UNESCO passaram a dar um conceito mais amplo de desenvolvimento humano, que ultrapassa a ordem econômica, incluindo as dimensões éticas, ecológica, culturais, de saúde, nutrição, acesso à água potável, educação, meio ambiente, uso dos recursos naturais vitais à sobrevivência humana e do planeta Terra. Na ampliação do conceito do desenvolvimento humano, a atenção volta-se para as políticas públicas para a redução da exclusão social, e da desigualdade econômica e social.

Conforme novo relatório Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Humano (PNUD), divulgado no início de maio, o Brasil subiu cinco posições no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), alcançando o 84º lugar. Ao subir cinco posições no relatório da PNUD, o país atinge o mais elevado Índice de Desenvolvimento Humano de sua história. Os avanços vieram das áreas de saúde e renda, enquanto os indicadores de educação permanecem estagnados.

Na área da educação, como na expectativa de anos de escolaridade, o novo relatório mostra que o Brasil ainda está atrás de países como Chile (45º), Argentina (47º), Uruguai (48º), Peru (79º) e Colômbia (83º). O líder no ranking é a Islândia, com um IDH de 0,972, seguida por Noruega e Suíça, empatadas na segunda colocação com 0,970.

O novo relatório do PNUD observou que o avanço brasileiro se deve, em parte, à recuperação do mercado de trabalho e à reversão dos impactos da pandemia na saúde pública. A taxa de desemprego no Brasil está entre as mais baixas da série histórica. Na saúde, o Brasil conseguiu reduzir os efeitos da crise sanitária que atingiu seu ponto máximo entre 2020 e 2021.

Para o administrador do PNUD, Achim Steiner, o crescimento do Brasil é encorajador, especialmente num cenário mundial em que o Índice de Desenvolvimento Humano desacelera. Para Steiner, o novo relatório alerta para uma desaceleração sem precedentes do Índice de Desenvolvimento Humano global, registrando o menor crescimento de sua história.

Para Pedro Conceição, diretor do relatório, a expectativa de vida, a principal variável que justifica a estagnação deve-se ao cenário do mundo em conflito, sejam econômicos, e guerras civis ou guerra entre as nações. Entre os fatores que comprometem os caminhos tradicionais para o desenvolvimento humano, estão as tensões comerciais agravadas por políticas protecionistas, como as tarifas impostas recentemente pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Isso tem gerado incertezas na economia global, no sistema de comércio e financeiro.

O relatório do PNUD destaca a Inteligência Artificial (IA) como uma possível alavanca para o desenvolvimento humano. A pesquisa realizada em 21 países mostra que 20% da população já utiliza a IA, enquanto 60% esperam impactos positivos da tecnologia. Nos países com o IDH médio ou baixo, esse otimismo sobe para 70%.

Para o diretor do relatório Pedro Conceição, “com as políticas certas e foco nas pessoas, a IA pode ser uma ponte crucial para novos conhecimentos, habilidades e ideias que podem capacitar a todos, desde agricultores até pequenos empresários”.

A conclusão do relatório do PNUD reforça a urgência de estratégias e de políticas públicas inclusivas para que o desenvolvimento humano continue avançando de forma equitativa. Os resultados para o Brasil, de 2022 a 2023, são um sinal de recuperação e também um chamado de atenção para um investimento mais robusto na área da educação. Este é um problema que os governantes precisam enfrentar com coragem para alçar o desenvolvimento humano, e garantir o bem-estar da população. 

 

 

Sobre o autor

Miguel Debiasi

Frade da Província dos Capuchinhos do Rio Grande do Sul. Mestre em Filosofia (Universidade do Vale dos Sinos – São Leopoldo/RS). Mestre em Teologia (Pontifícia Universidade Católica do RS - PUC/RS). Doutor em Teologia (Faculdades EST – São Leopoldo/RS).

Enviar Correção

Comentários

Newsletter Tua Rádio

Receba gratuitamente o melhor conteúdo da Tua Rádio no seu e-mail e mantenha-se sempre atualizado.

Leia Mais