''Não consumam destilados, vamos esperar a vigilância sanitária esclarecer, nos dar segurança'', afirma especialista sobre metanol
Baixar ÁudioA doutora explicou que, quando ingerido, o metanol é metabolizado no fígado e transformado em formaldeído (formol) e ácido fórmico
A médica Emanuela Nadal Ciapparini, coordenadora da emergência do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) de Passo Fundo, explicou em entrevista os riscos que o metanol representa para a saúde humana. Segundo ela, o metanol é um composto químico utilizado principalmente como solvente industrial, presente em produtos como limpa-vidros, fluidos automotivos e combustíveis aeronáuticos. Apesar de ter aparência e cheiro semelhantes ao etanol, o metanol é altamente tóxico e não deve ser consumido em hipótese alguma. A especialista destacou que o Ministério da Saúde e a vigilância sanitária ainda investigam como essa substância foi parar em bebidas que deveriam conter apenas etanol, sendo possível que tenha ocorrido contaminação ou adulteração proposital para aumentar o volume e o lucro.
A doutora explicou que, quando ingerido, o metanol é metabolizado no fígado e transformado em formaldeído (formol) e ácido fórmico, substâncias extremamente tóxicas ao organismo. Esses compostos afetam principalmente o sistema nervoso central e o nervo óptico, podendo causar perda de visão, insuficiência renal e falência de múltiplos órgãos. Emanuela detalhou que os sintomas iniciais de intoxicação costumam surgir entre seis e 72 horas após o consumo, variando entre náuseas, vômitos, tontura, visão borrada e até cegueira. Ela ressaltou que, diante desses sinais, o atendimento médico deve ser buscado imediatamente para evitar complicações graves.
A médica também alertou para a dificuldade de diferenciar o metanol do etanol, já que ambos são álcoois muito semelhantes na aparência, no gosto e no odor. Essa semelhança torna praticamente impossível distinguir uma substância da outra a olho nu, o que aumenta o risco de intoxicações em casos de adulteração de bebidas. Por isso, Emanuela reforçou a importância de consumir apenas produtos de procedência confiável e observar com atenção a integridade do rótulo e o selo de qualidade das embalagens.
Por fim, a coordenadora da emergência do HSVP deixou um recado à população, pedindo que evite o consumo de bebidas destiladas até que as autoridades concluam as investigações e garantam a segurança dos produtos. Ela lembrou que o álcool não é essencial à sobrevivência e que, neste momento, a precaução é a melhor medida. A médica também chamou atenção para que pessoas com dificuldade em suspender o consumo procurem ajuda médica, já que isso pode indicar um quadro de dependência. Segundo Emanuela, o mais importante agora é preservar a saúde e aguardar as orientações oficiais da vigilância sanitária.

Comentários