Francisco Poletto encerra ciclo de nove anos na APAE de Lagoa Vermelha e destaca aprendizado, gratidão e compromisso com a causa
Baixar ÁudioChico sai da presidência, mas, como ele mesmo diz, a APAE permanece no seu coração
A APAE de Lagoa Vermelha vive um momento marcante de transição. Após nove anos dedicados à diretoria, sendo três como vice-presidente e seis como presidente, Francisco Poletto, o Chico, deixa oficialmente o comando da entidade. Em entrevista à Tua Rádio Cacique, ele falou sobre sua trajetória, desafios, aprendizados e o sentimento ao encerrar esse ciclo. A presidência passou agora para Nelson Tonon, que já esteve na emissora apresentando suas metas e projetos.
Com bom humor e emoção, Chico abriu a entrevista destacando o vínculo profundo que construiu com a instituição. “A APAE é como entrar para a máfia: você até sai da diretoria, mas a APAE não sai de você”, brincou. Ele ressaltou que, apesar de não estar mais na presidência, seguirá contribuindo como diretor de patrimônio a convite do novo presidente. “A gente é apaixonado pela APAE. É uma causa nobre demais para simplesmente virar as costas.”
Gestão marcada por evolução e inclusão
Ao recordar seus objetivos como presidente, Chico evitou falar em conquistas pessoais. Preferiu remeter quem pergunta a olhar para o próprio trabalho desempenhado pela entidade: as oficinas de culinária, a ecoterapia, o futsal, as apresentações culturais, a banda da APAE e os projetos de musicoterapia. “A resposta está ali. Basta ver o brilho dos alunos quando se apresentam”, destacou.
Um dos desafios centrais que ele se propôs foi tirar os alunos das antigas campanhas de arrecadação em sinaleiras, substituindo esse modelo por ações que valorizassem as habilidades e talentos dos apaianos. “Eles já enfrentam muitos preconceitos. Colocá-los pedindo dinheiro nas esquinas não combinava com a inclusão que defendemos. Trabalhamos para que fossem vistos como protagonistas, não como pedintes.”
Uma escola que transforma vidas — e transforma quem entra
Chico reforçou que seu maior aprendizado veio do convívio diário com os alunos. Emocionado, afirmou que as pessoas atendidas pela APAE têm muito a ensinar à sociedade. “Eles têm um amor puro, verdadeiro. São sinceros, transparentes. A sociedade deveria aprender a conviver como eles convivem entre si.”
Sobre a equipe que atua na entidade, não poupou elogios. Destacou o trabalho da diretora Loiva e das servidoras Tânia e Jéssica, chamando-as de “pilares da APAE”, além do corpo docente, que ele classifica como “profissionais de amor”. “Ali, ninguém é só professor. Ali é vocação. É trabalho divino.”
Reconhecimento das famílias
Durante a entrevista, diversas mensagens de mães e familiares foram enviadas à rádio, agradecendo o trabalho de Chico. Em resposta, ele disse que também sente gratidão pela oportunidade de aprender com os alunos e suas famílias. “Eu recebo esse carinho com humildade. Eles também me transformaram.”
Neutralidade política como princípio
Um ponto que Chico enfatizou é a importância de manter a APAE isenta de interesses partidários. Ele defende que a entidade deve dialogar com todos os representantes públicos, independentemente de bandeiras. “A APAE precisa de apoio político, mas não pode ser instrumento político. Só assim mantemos a credibilidade.”
Sentimento ao concluir a gestão
Ao ser questionado sobre como se sente ao deixar a presidência, Chico disse que o coração “fica apertado, mas leve”. Apertado pela saudade do convívio diário, leve pelo sentimento de missão cumprida. “Foram anos de entrega. Aprendi mais do que ensinei. Saio grato e sigo à disposição, porque a APAE faz parte da minha vida.”
Com a posse de Nelson Tonon, a APAE inicia um novo capítulo, agora apoiada pela experiência acumulada por Poletto e pela continuidade de uma gestão comprometida com a inclusão, o respeito e o fortalecimento da comunidade apaiana.
Chico sai da presidência, mas, como ele mesmo diz, a APAE permanece no seu coração.

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