Chuvas e custos elevados reduzem plantio de trigo, mas qualidade pode compensar perdas
Baixar ÁudioO diretor da Agrozem, Marcos Bombassaro, alertou sobre o cenário difícil para a agricultura
O diretor da Agrozem, Marcos Bombassaro, alertou sobre o cenário difícil para a agricultura em entrevista à Tua Rádio Cacique. A previsão de maior volume de chuvas, já confirmada nos últimos 60 dias, fez com que a área plantada de trigo caísse cerca de 40% no Rio Grande do Sul, podendo ser ainda maior na região de Lagoa Vermelha, referência nacional em qualidade do grão. A decisão de muitos produtores foi não arriscar, somando ao clima o alto custo de insumos, dificuldade de crédito e endividamento com juros altos.
Para quem plantou, a esperança depende de duas janelas climáticas: na floração e na colheita. Se não houver excesso de chuva nesses momentos, é possível manter a qualidade do produto e evitar doenças. Bombassaro destacou que o setor representa mais de 35% do PIB nacional, mas carece de condições de pagamento, não de perdão de dívidas, e sofre com o descompasso entre ciclos de mercado: o aumento nos valores de arrendamentos e máquinas, motivado por anos de preços altos de grãos, agora pesa fortemente no caixa.
A Agrozem aposta na diferenciação como caminho: segrega o trigo por tipo, pão, melhorador e branqueador, garantindo até 15% a mais no preço em relação à entrega misturada. Equipamentos adquiridos após a safra de 2023 permitem recuperar qualidade de lotes que iriam para ração. Com menor oferta prevista, o mercado deve remunerar melhor o grão de qualidade, com cotação internacional girando em torno de R$ 1.500 a R$ 1.600 por tonelada. “A produção pode ser menor, mas a qualidade pode compensar”, avalia o diretor.

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