Uma era de desenvolvimento global
Os países articulam-se em blocos com perspectivas globais. Enquanto países fazem alianças pelos seus próprios interesses, outros ampliam suas relações para um desenvolvimento para toda população mundial. Brasil e a China ampliam suas parcerias estratégias com pretensões de um desenvolvimento global, iniciando pelos países do bloco Sul Global.
O termo Sul Global é usado para se referir a países emergentes, buscando substituir as expressões como Terceiro Mundo e Subdesenvolvidos. Também o termo é empregado para referir-se a países localizados abaixo da linha do Equador e que possui um caráter político e cultural, abarca nações que estão no hemisfério norte, como a China. O termo ganhou aprovação entre os líderes políticos globais em meados de 2010, durante o Fórum Brasil de Desenvolvimento, quando o presidente Lula disse ser “muito chique” por dirigir um país do Sul Global e que não se sentia um “patinho feio” em reuniões com líderes europeus, representantes dos países desenvolvidos.
O desenvolvimento é um ato de desenvolver-se. É a passagem de um estado a outro, de tal modo que o seguinte é mais perfeito do que o anterior. Aplicado a um país, o termo desenvolvimento refere-se às capacidades de crescimento econômico e de desenvolver-se, resultando em melhoria da estrutura social e da vida da população. Na pauta dos governantes da década, está o chamado desenvolvimento econômico sustentável, baseado na ideia da preservação do meio ambiente e na proposta de renovação da indústria, mais responsável com a utilização de matéria-prima de forma a não degradar e esgotar os recursos naturais.
O jornal Global Times ou o Diário do Povo, da China, publicou uma ampla entrevista com o presidente Xi Jinping, em novembro de 2024, após sua visita de Estado ao presidente Lula em Brasília. O presidente chinês chegou à capital brasileira após participar com os líderes globais de duas importantes cúpulas multilaterais – APEC e G20.
O Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacifico (APEC), aconteceu em Lima, Peru, que reúne 21 países da região Ásia-Pacífico. Os líderes desses países discutiram estratégias para fortalecer a cooperação econômica, promover o comércio sustentável e buscando parceria para os desafios regionais emergentes.
O encontro da Cúpula de Líderes do G20 ocorreu nos dias 18 e 19 de novembro, no Rio de Janeiro. O encontro teve como lema: Construindo um Mundo Justo e um Planeta Sustentável. Os líderes abordaram temas como inclusão social, combate à fome, transição energética e desenvolvimento sustentável. No encontro ocorreram discussões sobre a reforma de instituições de governança global, como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI), visando ampliar a voz e a influência do Sul Global no cenário internacional. No final do encontro foi instituída Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza, assumida pelos líderes mundiais.
Ao jornal Global Times o presidente chinês Xi Jinping enfatizou o bom relacionamento com o presidente Lula e destacou a relevância crescente das relações sino-brasileiras no cenário internacional. Estas boas relações não apenas fortalecem seus laços bilaterais, mas também inspira um novo modelo de cooperação para o Sul Global. E destacou que ambas as nações e presidentes estão empenhados na luta contra a pobreza e à fome. Quanto a ele mesmo salientou: “uma grande tarefa que estou determinado a cumprir” e ao referir-se ao compromisso de Luiz Inácio Lula da Silva, disse “a missão de uma vida”.
As parceiras e as convergências do Brasil e China refletem a busca compartilhada por um desenvolvimento mais equitativo e pela melhoria das condições de vida para o povo brasileiro e chinês. Para Xi Jinping, a modalidade de cooperação entre os dois países transcende os ganhos mútuos: “um pássaro mais fraco pode começar cedo e voar alto”. Traduzindo, as nações emergentes por meio de parcerias podem superar seus desafios e alcançarem o desenvolvimento de forma mais rápida e solidificada.
Nos últimos 15 anos, a China tem sido o maior parceiro comercial do Brasil, com importações anuais que ultrapassam US$ 100 bilhões. Além das importações, o investimento chinês desempenha um papel crucial no desenvolvimento no Brasil, em setores chaves como infraestrutura verde, agricultura e inovação tecnológica.
Na cooperação Brasil-China há aspirações globais maiores. Além de estarem unidos pela superação da pobreza e fome, os países buscam ampliar a cooperação Sul-Sul, oferecendo soluções para outros países que buscam desenvolvimento, inovação tecnológica e modernização. Para o presidente chinês é preciso que cada país emergente trace os seus próprios caminhos de modernização para avançar em aliança que represente ganhos mútuos e que possibilite desenvolvimento humano.
A parceria estratégica pelo desenvolvimento do Sul Global ficou mais fortalecida com o encontro da Cúpula do G20 no Rio de Janeiro. Os líderes da China, Brasil, índia e África do Sul assumiram compromissos de fortalecer os países do Sul Global. Nesta tarefa Brasil e China se movimentam para serem os pioneiros de uma nova era de parcerias estratégicas para o desenvolvimento global.
Os acordos bilaterais e multilaterais entre esses países fortalecem a ideia de um modelo de progresso associado a valores como a solidariedade, sustentabilidade, justiça social, estabilidade global. O futuro dirá se o bloco Sul Global avançou em parcerias estratégicas resultando em benefícios mundiais. Por enquanto as exportações do Brasil para os países do bloco Sul Global, nos últimos 20 anos aumentaram 400% e representam 67% do total.
No aguardo dos próximos movimentos do bloco Sul Global, erradicando a pobreza e a fome, já seria um grande passo em direção ao desenvolvimento global, representando o início de uma nova era para toda a humanidade. Nisto realizado, pode-se dizer: o Evangelho vive!

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