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Que venha o meteorito!

Vanildo Luis Zugno

 

Que venha o meteorito! É uma expressão cunhada e repetida por um colega meu diante da irresponsabilidade humana para com o meio ambiente. Sem pudor e muito menos responsabilidade, utilizamos e abusamos dos recursos naturais e estamos conduzindo o Planeta Terra a uma catástrofe ecológica sem precedentes. E, com insana estupidez, agindo assim, a humanidade está programando a sua própria extinção. E essa catástrofe, antes que chegue à sua culminância, causará muita dor e sofrimento à própria humanidade. Então, para evitar mais sofrimento, que venha logo o meteorito!

Tomando o mote do colega e vendo a deterioração não só do meio ambiente, mas das relações humanas como um todo, também tenho a tentação de desejar que esse fim chegue logo. Ao invés de aprendermos com as gerações que nos precederam, parece que queremos repetir os piores erros do passado…

Com efeito, humanidade caminha em direção a uma concentração de riqueza nas mãos de poucas pessoas e empresas. Enquanto isso ou, por causa disso, bilhões de seres humanos têm suas vidas ceifadas ou reduzidas drasticamente pela falta do básico: água, comida, saneamento, casa, de atendimento básico de saúde. E ainda empilhamos milhares e milhares de mortos de forma absurda em guerras que têm como única justificativa a acumulação de mais e mais riqueza por parte de poucos. Que venha logo o meteorito!

Depois de tanto esforço de gerações e gerações para construir sociedades democráticas onde as pessoas, mesmo sendo diferentes e pensando diversamente, possam conviver em paz respeitando-se mutuamente, renascem vozes que exaltam o fascismo, o nazismo, o racismo, a misoginia, os torturadores e assassinos que mancham a história da humanidade e de nossas nações. Que venha logo o meteorito!

Quando olhava a realidade de seu tempo, Jesus teve a mesma tentação. É o que nos atestam os Evangelhos. Ele também desejou que a dor e sofrimento de seu povo terminasse logo. Era demais aguentar tudo aquilo. Mas há um detalhe importante. A diferença bem declarada por Jesus no seu discurso apocalíptico, é a de que a catástrofe não é o fim último. O desastre provocado pelos humanos e que tem consequências cósmicas, é passageiro. Ele não é um fim em si mesma e nem dura para sempre. Para além da catástrofe está a justiça de Deus já proclamada pelos profetas, entre eles Malaquias, quando afirma que “virá o dia, abrasador como fornalha, em que todos os soberbos e ímpios serão como palha; e esse dia vindouro haverá de queimá-los”. Para aqueles que, como lembra Jesus, permaneceram fiéis foram perseguidos por causa da justiça de Deus que é a defesa dos empobrecidos e da criação, “nascerá o sol da justiça, trazendo salvação em suas asas”.

Que esse dia chegue logo! De preferência, antes que venha o meteorito!

Sobre o autor

Vanildo Luis Zugno

Frei capuchinho. Graduado em Filosofia (UCPEL – Pelotas) e Teologia (ESTEF – Porto Alegre), mestre em Teologia (Université Catholique de Lyon – França), é professor de Teologia na ESTEF e no UNILASALLE (Canoas) e doutor em Teologia na EST (São Leopoldo).

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