Novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora
A Igreja Católica desenvolve um processo de evangelização com base em planos e diretrizes. Em 2026, será o ano das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora, apresentadas pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Aguardamos, na esperança, que venham para fortalecer a sinodalidade eclesial e da ação pastoral, seja diocesana ou paroquial.
A Igreja Católica iniciou a evangelização no Brasil logo após a chegada dos portugueses em 1500, com a missão de converter os povos nativos ao cristianismo. Em 1549, chegaram os padres jesuítas que foram os principais agentes da evangelização, acompanhando a colonização e participando da formação das primeiras vilas e cidades. Neste período, a evangelização, ligada à expansão marítima e comercial portuguesa, via na conversão dos povos pagãos uma legitimidade para ocupação das novas terras.
No período do padroado, a Coroa Portuguesa passou a administrar os assuntos da Igreja Católica nas colônias. A Constituição de 1824 institucionalizou o regime de padroado, onde o Estado tinha a obrigação de protegê-la. O Imperador brasileiro, como sucessor de Portugal, passou a ter o poder de nomear bispos, criar e suprimir dioceses, e exercer um forte controle sobre os assuntos da Igreja Católica no território nacional.
O padroado foi extinto com a Proclamação da República em 1889. A Constituição republicana de 1891 estabeleceu a separação entre a Igreja Católica e o Estado, garantindo a liberdade de culto e a autonomia da Igreja, o que marcou o fim do regime de padroado. Com isso, inicia-se uma nova etapa na Igreja Católica, em sua organização eclesial e na perspectiva de trabalho pastoral.
Já em meados do século XX, inicia-se a abordagem pastoral por uma “nova evangelização”, que incluía a adaptação aos tempos modernos. Isto ficou evidenciado com o Concílio Vaticano II (1962-1965), e que foi formalizada com documentos como a exortação apostólica Evangelii Nuntiandi, do Papa Paulo VI, em 1975. Em seguida, popularizou-se o termo “nova evangelização”, que implica o esforço pastoral para reevangelizar populações já católicas e adaptar a mensagem cristã aos tempos modernos.
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), criada em 14 de outubro de 1952, tem buscado atualizar constantemente sua ação evangelizadora. Inicialmente, com os “Planos de Ação Pastoral” ou “Planos de Pastoral de Conjunto”, a CNBB apresentava um documento de estudos e trabalho, incluindo uma análise teológica da realidade sociorreligiosa, e com indicativos pastorais para serem implementadas nas Dioceses através das comunidades paroquiais.
Em 1991, a CNBB substituiu o termo “Plano de Ação Pastoral” por “Diretrizes Gerais da Ação Pastoral”, com foco na “nova evangelização” e no chamado à conversão de toda a Igreja. Em 1995, novamente o termo foi alterado para “Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora” (DGAE), focando em inculturação, serviço, diálogo, anúncio e testemunho de comunhão. A partir de 2003, as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora são atualizadas a cada quatriênio, como exemplos 2015-2019 e 2019-2023.
No aguardo das novas Diretrizes, a Igreja Católica, enfrenta desafios urgentes em diversas frentes, incluindo a necessidade de maior atenção ao papel das mulheres. Frequentemente, a Igreja é criticada por sua falta de representatividade e oportunidade para as mulheres, tanto em posições de liderança, quanto em outros papéis ativos na comunidade. Muitos estudiosos e fiéis defendem a necessidade de repensar a participação feminina na Igreja, incluindo a possibilidade de ordenação de mulheres em certos níveis.
Há o desafio da formação religiosa dos fiéis. Muitos católicos, mesmo praticantes, demonstram falta de conhecimento sobre os fundamentos da fé, incluindo os ensinamentos bíblicos, os sacramentos e a doutrina da Igreja. A formação religiosa dos fiéis é essencial para fortalecer a fé, promover uma compreensão mais robusta dos ensinamentos do Evangelho e combater o relativismo e a secularização.
Há necessidade de adaptação aos desafios sociais contemporâneos, como a cultura digital. A Igreja Católica precisa lidar com os desafios impostos pela cultura digital, como a disseminação de informações falsas, a influência das redes sociais e a perda de espaço para reflexão, oração e compromisso social dos cristãos.
A própria crise climática e as questões ambientais exigem uma resposta da Igreja, que deve promover a conscientização sobre a importância da sustentabilidade e da responsabilidade com a criação.
Há também as questões sociais relevantes, como a pobreza, a desigualdade, a violência e a injustiça, buscando soluções que promovam justiça social e paz.
Enfim, com esperança, espera-se que as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora (DGAE), da Igreja no Brasil, um documento de estudo e de reflexão para um processo pastoral sinodal, quem sabe, focando na missão, na comunidade, na vida cristã, na iniciação à vida cristã, nas questões gênero, ambientais, sociais, urbanas, éticas, no desenvolvimento da fé em Cristo e com indicativos de ação pertinentes à realidade do povo de Deus e ao Evangelho.

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