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Cientista marauense está em grupo de pesquisa que trabalhará com Telescópio Espacial James Webb

por João Pedro Varal Tartari

A doutoranda em Física Marina Bianchin Vanz explicou expectativas de profissionais da Astronomia a respeito de observatório que orbita o Sol

Nesta segunda-feira, 24/01, engenheiros espaciais do Space Telescope Science Institute em Baltimore-Estados Unidos, acionaram os propulsores do Telescópio Espacial James Web para colocá-lo na órbita do Sol. Ativação fez parte de uma manobra de correção de direcionamento para garantir que o dispositivo chegasse ao destino final no ponto Lagrange 2 (L2), que fica a cerca de 1,5 milhão de quilômetros da Terra. Confirmação do sucesso da missão chegou com recebimento de sinais de rádio confirmando o posicionamento.

Segundo a cientista Mestra Marina Bianchin Vanz, a entrada em órbita não significa que o Telescópio já está disponível para uso. Ela explica que o James Webb tem que operar em uma temperatura de -230°C e para isso, ele conta com aquele ‘escudo’ que tem “um lado, que é o lado quente, está sempre apontando em direção à Terra e ao Sol, que é quem está emitindo luz, quem está esquentando, e o outro lado está sempre frio”. E ela complementa que “vai demorar em torno de seis meses para ele chegar na temperatura que a gente quer”

A marauense faz parte do Grupo de Astrofísica da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que foi uma das duas associações brasileiras que teve uma proposta de observação aprovada para usar o Telescópio Espacial. Ela conta que esses projetos são escritos anonimamente, de forma que quem revisa não tem como saber quem escreveu e quem escreve não fica sabendo quem revisou. Marina comenta que vê triunfo como motivo de grande orgulho, já que ele “é baseado, simplesmente, no mérito, na originalidade e na viabilidade da proposta”. 

A Mestra em Física explica que os corpos celestes escolhidos como foco do estudo do Grupo são três galáxias ativas – aquelas que, entre outros fenômenos associados, possuem um buraco negro se alimentando em seu centro. “As nossas galáxias vão ser observadas depois de algumas outras observações, que são observações de teste de calibração, e, depois que alguns projetos selecionados para teste forem observados”, ela explica. “Não sei ainda quando vão ser observadas e não sei exatamente o que vai ser observado primeiro.”

Marina também comenta que estão todos ansiosos para que dê tudo certo e para descobrir as revelações que os dados captados pelo telescópio podem trazer. “Tem-se ideia de que ele vai observar planetas fora do Sistema Solar”, explica, complementando que “ele vai tentar observar galáxias que estão muito, muito, muito distantes”.  Segundo ela, esses objetos estão “muito no passado”, o que nos permitirá observar galáxias nascendo e se formando, “para tentar reconstruir a história de como o Universo é hoje”.

De acordo com a cientista, uma das principais expectativas é entender como se move o gás que forma a estrela. “Mas, talvez, a gente encontre coisas completamente inesperadas, porque, sempre que lançam um grande telescópio, um instrumento muito revolucionário, a tendência é que surjam mais perguntas do que respostas... A ciência funciona assim.”

O Telescópio

O James Webb foi lançado no último Natal, 25/12/2021. Durante sua construção, ele sofreu uma série de atrasos. Segundo Marina, “ele começou a receber financiamento oficial em 1996, e a previsão é que lançassem em 2006 ou 2007”. Ela também conta que, quando soube do projeto, a previsão era que ele fosse lançado em 2018. “Só em 2021, teve uns quatro ou cinco adiamentos.” 

A astrofísica explica que o nome do Telescópio Espacial vem de uma das mais famosas séries de expedições espaciais dos Estados Unidos, a Missão Apollo. O nome é uma homenagem, porque “na época da Missão Apollo, o administrador da NASA era um cara chamado James Webb”. “Antes disso ele se chamava Next Generation Space Telescope.”

De acordo com a cientista, o Telescópio deve ficar permanentemente nessa órbita. A previsão inicial era de que ele permanecesse em funcionamento durante cinco anos, mas foi informado que ele está abastecido com combustível para durar em torno de dez. A substância permite que o equipamento faça manobras para se manter na posição em que está, mas “chega um ponto que como não tem mais combustível para ficar corrigindo e ele, simplesmente, vai cair para algum outro ponto onde já tem alguns telescópios que estavam mais ou menos no mesmo lugar e que pararam de funcionar”, o que Marina chama de ‘órbita-cemitério’. “Com sorte, dure 20 anos.” 


Você pode conferir o vídeo da entrevista com Marina Bianchin Vanz, que foi transmitido ao vivo na página do Facebook da Tua Rádio Alvorada no dia 21/01, clicando neste link.

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