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Em RA da CIC CAXIAS, Daniel Leipnitz propõe união de lideranças para impulsionar o desenvolvimento da Serra Gaúcha

por Luan Varela

Palestrante apresentou a transformação econômica de Florianópolis como exemplo de articulação para o desenvolvimento territorial

Foto: Luan Varela/Divulgação

A capacidade de articulação entre empresas, poder público, universidades e sociedade será determinante para a Serra Gaúcha construir seu próximo ciclo de desenvolvimento. A avaliação é do empresário, conselheiro e investidor Daniel Leipnitz, que palestrou nesta segunda-feira (31) na RA (reunião-almoço) da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC Caxias), que ocorreu em parceria com o Instituto Hélice. O evento foi conduzido pelo vice-presidente de Indústria da entidade, Oliver Viezzer, e teve como tema Liderança empresarial e inovação territorial: o novo protagonismo do setor privado na Serra Gaúcha.

Leipnitz utilizou a transformação econômica de Florianópolis como exemplo de como a mobilização de diferentes atores pode alterar a trajetória de um território. A capital catarinense enfrentava poucas oportunidades de empregos qualificados, limitações à industrialização e pesada e forte dependência do turismo sazonal. A mudança começou ainda nos anos 1980, quando estudantes decidiram permanecer na cidade, empreender e compartilhar conhecimento, contatos e oportunidades. 

O movimento ganhou escala nas décadas seguintes. Atualmente, Florianópolis reúne cerca de 6,1 mil empresas de tecnologia, com faturamento anual na ordem de R$ 13 bilhões. Leipnitz destacou que a nova economia deu à cidade uma atividade de alto valor agregado, menos dependente da sazonalidade e capaz de exportar conhecimento e inteligência.

Ex-presidente da Associação Catarinense de Tecnologia (Acate), Leipnitz afirmou que uma entidade empresarial pode ultrapassar a função de representação de interesses e atuar como plataforma de desenvolvimento territorial, conectando empresas, governos, universidades e sociedade. Em sua avaliação, essa articulação não pressupõe unanimidade, mas capacidade de estabelecer uma direção comum.

A cooperação, ressaltou, exige também superar disputas por protagonismo. Leipnitz diferenciou o que chamou de “ecossistema” e “egossistema”: no primeiro, a causa está acima da autoria; no segundo, ocorre o inverso. Para ele, um consenso em torno de 70% das questões relevantes já é suficiente para permitir que um território avance, sem que as diferenças nos demais pontos paralisem uma agenda coletiva.

Outro caso apresentado foi o Sapiens Parque, em Florianópolis, que Leipnitz presidiu entre 2021 e 2023. Durante sua gestão, mais de R$ 1 bilhão em investimentos foram atraídos e destravados. Segundo ele, o processo teve como ponto de partida a reconstrução do sentimento de pertencimento e da confiança da comunidade no projeto. O movimento teve continuidade após sua saída, com mais de R$ 1 bilhão em capital privado anunciado em um novo ciclo.

Ao voltar o olhar para a Serra Gaúcha, Leipnitz destacou que a Região parte de uma posição privilegiada, sustentada por indústria forte, capacidade de investimento, conhecimento técnico, cultura de trabalho, associativismo e identidade regional. O desafio, segundo ele, não é criar essa força, mas coordená-la para enfrentar um novo cenário econômico e tecnológico.

Nesse contexto, o palestrante chamou atenção para uma mudança no conceito de competitividade. A capacidade de uma empresa atrair e reter profissionais, exemplificou, já não depende apenas de salário ou reputação corporativa. Educação, segurança, infraestrutura e qualidade de vida do território também pesam na decisão dos talentos. Por isso, defendeu que as lideranças empresariais participem da construção das condições necessárias para tornar a Região mais competitiva.

Para Leipnitz, esse protagonismo não significa substituir o poder público. Na prática, significa mobilizar atores, estabelecer prioridades, investir, acompanhar resultados e sustentar uma agenda que tenha continuidade mesmo diante de mudanças políticas e administrativas.

O palestrante também defendeu uma agenda regional mais objetiva, com menos iniciativas dispersas e mais projetos estruturantes com responsáveis, recursos, prazos e indicadores definidos.

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