Machadinho sedia abertura oficial da colheita da erva-mate do RS nesta quarta-feira
Baixar ÁudioÉ a primeira vez que o evento chega ao Nordeste Gaúcho desde sua criação em 2018, seguindo um sistema de rodízio que retorna a cada cinco anos
A abertura oficial da colheita da erva-mate no Rio Grande do Sul será realizada neste ano em Machadinho, no dia 28 de maio, integrando o calendário tradicional que percorre as cinco grandes regiões produtoras do estado. Conforme explicou o engenheiro agrônomo Ilvandro Barreto de Melo, é a primeira vez que o evento chega ao Nordeste Gaúcho desde sua criação em 2018, seguindo um sistema de rodízio que retorna a cada cinco anos. A programação começa às 9h em uma comunidade do interior, com atividades técnicas, debates sobre políticas públicas para o setor e dois lançamentos importantes: o pré-lançamento do monumento à Caà Yari, a deusa da erva-mate, e a nova marca com Indicação Geográfica da região, reconhecida em 2025. O ponto alto ocorre ao meio-dia, com a poda simbólica realizada em propriedades de famílias tradicionais, já na quarta geração de produtores, marcando o início do período mais forte de colheita e industrialização, entre outono e inverno.
O evento também é palco para apresentar o Plano Estratégico do Mate Gaúcho, decreto oficial do estado que vai estruturar toda a cadeia produtiva, formada por 14 mil produtores e 173 indústrias, nos próximos anos. Ilvandro destacou os avanços tecnológicos que transformaram a atividade: se antes a média era de 600 arrobas por hectare, hoje produtores mais tecnificados chegam a 2.200 arrobas no mesmo espaço. A pesquisa também avança na parte química, com a identificação de mais de 200 princípios ativos na planta, abrindo caminho para aplicações farmacêuticas e medicinais, além do desenvolvimento de variedades com diferentes níveis de cafeína. O produto gaúcho já é consumido em 120 países, com exportação direta para 33 nações, e ganha cada vez mais espaço também no turismo, como no único SPA de erva-mate do mundo, instalado em Machadinho, que combina o produto às águas termais e à gastronomia local.
O mercado segue em expansão com a diversificação: além do chimarrão, a erva-mate aparece em chás, bebidas geladas, refrigerantes, cervejas, doces, salgados e produtos de beleza, ampliando o alcance para diferentes públicos. O consumo per capita, que chegou a cair de 11kg para 9kg por ano durante a pandemia por questões sanitárias, já vem se recuperando e fechou 2025 em 9,6kg. A expectativa é de que em 2027 o índice volte ao patamar tradicional, com a retomada do hábito de compartilhar a cuia em encontros e praças. A entrada para a abertura da colheita é gratuita, não há necessidade de inscrição prévia e haverá almoço no local, com estrutura preparada para receber produtores, autoridades e comunidade em geral para celebrar a cultura que é símbolo do Rio Grande do Sul.
Comentários