Três homens são condenados pelo Tribunal do Júri pelas mortes de mãe e filha em Casca
Execução ocorreu em 2020 e teve como pano de fundo conflitos familiares; julgamento dos supostos mandantes foi remarcado
Foto: Tatiana Tramontina / Agência RBS / Grupos de Whatsapp
Terminou na noite desta quarta-feira, 01/04, o julgamento de três homens acusados de participação nas mortes de Neusa Rapkievicz e Ana Paula Rapkievicz, mãe e filha assassinadas em 2020 no interior de Casca, no norte do Rio Grande do Sul. Após a decisão do Tribunal do Júri, o juiz responsável pelo processo definiu as penas dos réus.
Claudinei Lima dos Santos foi condenado a 49 anos de prisão, enquanto Alcinei Antônio dos Santos recebeu pena de 40 anos e 10 meses. Já Lucas dos Santos Brizola foi condenado a 28 anos de reclusão. Apesar de as defesas poderem recorrer da decisão, os três permanecerão presos, pois já se encontravam em prisão preventiva durante o andamento do processo.
Conforme sustentou o Ministério Público, os três condenados participaram diretamente da execução do crime. A acusação apontou que o homicídio foi cometido mediante promessa de recompensa e com o uso de recursos que dificultaram qualquer possibilidade de defesa das vítimas.
O julgamento de outros dois acusados, apontados pela investigação como mandantes do crime, não ocorreu nesta semana. Segundo a Justiça, a sessão envolvendo Davide Tickz e Vanderlei Tickz, pai e filho, foi transferida para o dia 20 de maio, em razão da ausência do advogado de defesa por questões de saúde. Com o adiamento, o número de testemunhas também foi reduzido, passando de 13 para seis — cinco indicadas pela acusação e uma pela defesa.
De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público, Neusa e Ana Paula Rapkievicz foram mortas a tiros na noite de 14 de junho de 2020, quando retornavam para casa em uma localidade do interior de Casca. Para a acusação, o ataque foi planejado previamente e ocorreu em um contexto de conflitos familiares.
Entre os fatores apontados estão disputas patrimoniais e divergências relacionadas à guarda de uma criança, neta de Neusa e sobrinha de Ana Paula. A menina é filha de um dos acusados com uma mulher que já havia falecido anteriormente. A investigação também indicou que os mandantes teriam oferecido pagamento de pelo menos R$ 20 mil para a execução do crime, além de fornecer apoio logístico aos executores, incluindo informações sobre a rotina das vítimas, transporte, hospedagem e armamentos utilizados.
Segundo o Ministério Público, o homicídio foi motivado por razões consideradas torpes, relacionadas também a questionamentos feitos pelas vítimas sobre a morte da ex-companheira de um dos envolvidos, que havia sido registrada como suicídio. O processo envolvendo um sexto acusado, igualmente apontado como executor, foi separado dos demais. A medida ocorreu porque ainda não houve decisão definitiva sobre a fase processual que determinou seu julgamento pelo Tribunal do Júri.
As defesas dos três condenados informaram que pretendem analisar a sentença e avaliar a apresentação de recursos à decisão do júri. Os advogados apontam questões relacionadas à pena aplicada e a aspectos do julgamento que, segundo eles, poderão ser revisados nas instâncias superiores.
Comentários