Mudanças climáticas ampliam desafios no campo e exigem adaptação do manejo agrícola
Professor Diogo da Silva Moura, da Cesurg, destaca importância da cobertura do solo, assistência técnica e formação profissional diante de períodos de excesso ou falta de chuva
Foto: Reprodução/Canva
As condições climáticas vêm reduzindo as janelas para operações nas lavouras e exigindo decisões cada vez mais rápidas dos produtores. Em entrevista à Tua Rádio Alvorada, o coordenador do curso de Agronomia da Faculdade Cesurg, professor Diogo da Silva Moura, destacou que períodos de excesso de chuva, estiagens e maior irregularidade do clima já fazem parte da realidade enfrentada pelo setor. “Cada vez o clima parece estar menos previsível. Muitas vezes, a tomada de decisão precisa ser mais rápida”, afirmou.
Entre as estratégias para reduzir os impactos, Diogo apontou o manejo adequado do solo como um dos principais fatores. A manutenção da cobertura vegetal ajuda a diminuir o impacto direto das gotas da chuva, reduz o arraste de partículas e nutrientes e favorece a infiltração da água. “Se tu tens um solo bem estruturado, com cobertura e palhada, isso ajuda a quebrar a velocidade dessa água e aumentar a capacidade de infiltração”, explicou. Segundo ele, visitas realizadas em propriedades da região têm mostrado áreas afetadas pela erosão após volumes elevados de chuva.
Essas situações também fazem parte da formação dos acadêmicos de Agronomia. Durante os estágios e visitas técnicas, professores acompanham realidades produtivas diferentes na região, envolvendo desde grãos e produção animal até erva-mate, uva e outras atividades. O objetivo, conforme Diogo, é aproximar o curso das demandas encontradas nas propriedades. “A gente precisa pensar o curso de forma que esteja realmente ligado à realidade regional”, destacou, citando também a necessidade de formar profissionais preparados para resolver problemas, acompanhar novas tecnologias e auxiliar produtores nas tomadas de decisão.
Outro trabalho desenvolvido é o projeto Aliança Jovem, realizado em parceria com o Sicredi e voltado principalmente a adolescentes ligados ao meio rural. Os encontros tratam de sucessão familiar, gestão da propriedade, comercialização, agricultura de precisão, inovação, liderança, sustentabilidade e possibilidades de diversificação. “Eles passam a ter uma visão diferente da propriedade e entendem que é um negócio que precisa ter gestão”, afirmou o professor. A atual edição segue até o final de novembro e inclui atividades práticas e visitas a propriedades.
A Faculdade Cesurg também já definiu a data do próximo Dia de Campo de Verão. A programação está prevista para 25 de fevereiro de 2027 e deverá apresentar materiais de milho e soja, insumos, máquinas, tecnologias e trabalhos de pesquisa desenvolvidos pelos acadêmicos. Entre eles estarão estudos envolvendo bioinsumos produzidos pelos próprios alunos, que serão avaliados na área experimental e posteriormente apresentados aos produtores e demais participantes do evento.
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