Coelhos e aves ornamentais conquistam visitantes na Expointer 2026
Pavilhão dos Pequenos Animais reúne diferentes raças e mostra que a criação exige cuidados, manejo e atenção ao bem-estar
Foto: Fernando Dias/Ascom Seapi
Coelhos e aves ornamentais têm chamado a atenção de quem passa pelo Pavilhão dos Pequenos Animais da 49ª Expointer, em Esteio. Entre diferentes raças, tamanhos e características, os animais despertam a curiosidade dos visitantes e também mostram uma realidade que vai além da beleza dos exemplares: a criação exige seleção, manejo e cuidados específicos.
Um dos expositores é Paulo Cesar Hahn, de Dois Irmãos, que participa pela primeira vez da Expointer acompanhado das filhas Valentina e Antonela. Ele levou 21 coelhos para a feira, incluindo quatro minicoelhos. Na propriedade, mantém oito matrizes e realiza uma seleção dos animais antes de ampliar o plantel.
Os minicoelhos são procurados principalmente como animais de companhia. Dóceis e de pequeno porte, podem ser criados em casas e apartamentos, desde que tenham ambiente adequado e recebam os cuidados necessários. Um adulto pesa, em média, entre 700 e 800 gramas. Os filhotes custam cerca de R$ 300, enquanto exemplares adultos podem ultrapassar R$ 1 mil. A expectativa de vida varia entre seis e oito anos.
Na criação de Hahn estão raças como Netherland, Nova Zelândia, nas variedades vermelha e branca, e Champagne d'Argent. Alguns exemplares também se destacaram nas competições da feira, com títulos de primeiro lugar e de grande campeão.
Mas alguns coelhos têm um destino diferente. Depois de receberem nomes, Alana, Foguinho e Amora passaram a fazer parte da família e deixaram de ser considerados animais para venda. “Depois de batizados, não tem mais como vender”, brinca o criador.
Aves também ganham espaço
A relação entre criação e companhia também aparece entre as aves ornamentais. Mario Duarte Vargas, de Santa Vitória do Palmar, levou à Expointer exemplares da galinha Sedosa do Japão, raça conhecida pelo temperamento dócil, capacidade de postura e comportamento materno.
A docilidade faz com que a raça seja procurada inclusive para convivência com crianças. Um exemplar do plantel apresentado na feira foi campeão da raça e reservado campeão continental.
Apesar do perfil dócil, as aves ornamentais precisam de condições adequadas de criação. Espaço para caminhar e bater as asas, acesso ao solo, luz solar, locais para ciscar e tomar banho de areia, alimentação balanceada e água fresca estão entre os cuidados necessários.
A médica veterinária Carla Lehugeur alerta que, mesmo quando criadas como animais de companhia, as aves possuem necessidades biológicas diferentes de cães e gatos. A convivência com outras aves da mesma espécie também contribui para o bem-estar dos animais.
Cuidados começam na alimentação
No caso dos coelhos, a alimentação deve contar com ração específica e feno à vontade. Verduras e legumes podem fazer parte da dieta, mas precisam ser oferecidos com orientação e moderação. A cenoura, por exemplo, deve ser tratada como petisco ocasional devido ao teor de açúcar.
Para as aves, outro ponto de atenção é a biossegurança. Segundo o técnico agrícola Agnaldo Lopes, da Inspetoria de Defesa Agropecuária de Esteio, manter as aves em viveiros ou espaços cercados ajuda a reduzir o contato com aves silvestres e migratórias e, consequentemente, o risco de transmissão de doenças, como a influenza aviária.
Comedouros e bebedouros protegidos, controle de acesso de outras espécies e boas condições de higiene também fazem parte dos cuidados.
No pavilhão, os visitantes encontram animais de diferentes raças e tamanhos, mas também conhecem um pouco da rotina por trás das exposições. Entre campeonatos, seleção de exemplares e demonstrações de características das raças, a Expointer mostra que a criação de pequenos animais envolve tanto conhecimento e dedicação quanto a relação de afeto construída entre criadores e seus animais.
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