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Nossa Era: a da imagem (II)

Miguel Debiasi

Em continuidade ao texto publicado anteriormente sobre a “era das imagens”, vamos considerar o que movimenta a proliferação das imagens. Conforme dito, a produção de imagens é indissociável do mecanismo da comunicação e da cultura. Desse modo, a imagem é um registro dos anseios e das aspirações do ser humano em sua história. A imagem postula construir símbolos que conduzam ao controle e ao poder à base do esvaziamento de culturas e de relações.

É inegável o potencial construtivo e destrutivo de relações sociais por meio das imagens. Estas são construtivas quando portam valores e sustentam relações de homens e cidadãos com suas raízes, culturas e histórias. Mas seu potencial destrutivo se destaca quando impõem a substituição de tradições e de culturas pela massificação de hábitos e costumes seletivos. O teórico Karl Heinrich Fierz escreve que a perda de um símbolo reconhecido como orientador, determinativo, pode abalar a essência da humanidade e ser um terremoto na história do mundo. A história da humanidade registra a queda de símbolos que se desgastaram e outros que caíram por apontarem alternativas limitadas.

A imagem está sempre a serviço de um projeto portador de intenções e de mensagens de credibilidade ou de desprezo. O processo de morte de símbolos ou de códigos culturais, para o pensador Norval Baitello Junior, pode ser definido como iconofagia: “as imagens desgastadas são devoradas por novas imagens, que se reciclam”. Por conseguinte, quando a imagem vira símbolo, signo, confere nova vida em seu tempo e espaço. Portanto, prolonga sua comunicação, que por sua vez não se esvazia, e evita a morte.

Então, uma imagem símbolo representa uma grande síntese social, capaz de evocar seguimentos, conferir processos culturais e transformar as pessoas. Em tempo contemporâneo uma fundamental variante da vida moderna é ser “vídeo, ergo sum”, com significado de ser visto ou aparentar. Aparentar ter uma imagem é possuir valor de orientação, motivar seguidores. O mundo da imagem pressupõe ser luz ao ser humano e nascente de uma nova ordem social, por isso exacerba a produção e proliferação de imagens. Logo, a era da imagem postula a promessa de imortalidade, de vida ilimitada, cheia de gozo e prazeres, um mundo de paraísos. Contudo, se autodevora e autodestrói porque os seguidores são infiéis na esfera ética, social, política, econômica e nas relações interpessoais. O assunto terá sua conclusão na próxima publicação.

 

 

Sobre o autor

Miguel Debiasi

Frei capuchinho. Atualmente é pároco da Paróquia Cristo Rei, de Marau, RS, e Conselheiro do Governo Provincial, eleito no dia 04 de setembro de 2014. Mestre em Filosofia e Teologia.Autor do livro Teologia da Tolerância – um novo modus vivendi cristã, publicado em 2015, pela ESTEF, Escola de Espiritualidade e Teologia Franciscana. Também escreve artigos e crônicas.

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