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Nossa Era: a da imagem (I)

Miguel Debiasi

O momento histórico que nos perpassa é o da proliferação de imagens. Por imagens é possível descrever e compreender realidades humanas, físicas, sociais, contextos, tempos, espaços, etc. Aprimoradas pelos recursos técnicos digitais, as imagens viram símbolos capazes de induzir ideias, alimentar futuros, fomentar desejos e imaginários sociais. Quer dizer, manifestam poder de corporificar relações, pessoas, cultura, interesses, ideologias. Em seu domínio, exige-se vigília para que não assolem culturas, pessoas, relações, responsabilidades, valores, éticas.

Certo é que na presente era as imagens ocupam ideias, preenchem sentimentos, conduzem procedimentos e desdobramentos de satisfação. Nisto, o teórico da Universidade de Sevilha, Espanha, Mercedes Arriaga Flórez, adverte que as imagens podem petrificar símbolos e signos que devoram vidas, deformam relações, manipulam pessoas, empobrecem culturas e simplificam situações. As imagens são seres comunicativos e ferramentas do mercado do consumo. A produção de imagens em alta escala expressa um poder de perpetuar verdadeiros símbolos de informação, de liberdade, de valores, de imaginação de um mundo utópico, de predicado de ordem social universal, etc. Sua era reinante é sua capacidade de portar e modificar valores de vínculos culturais, históricos, relações, substituir ícones, desfazer tabus, criar mitos, dissociar sistemas cognitivos, refutar pensamentos, converter visões, reivindicar novos valores, propor soluções, apagar arquivos históricos, aspirar futuros. Os presentes símbolos não são inócuos, mas têm linguagem e força de comunicação que transcendem fronteiras culturais. São verdadeiros agentes e atores sociais.

No entanto, as imagens são sempre uma reprodução mental e a significação de uma cultura e de uma sociedade. Por vezes torna-se puramente abstrata ao reproduzir um sistema social e cultural que não encontra o caminho das soluções. Ainda, a supervalorização da imagem ocorre porque o Estado, a religião, a cultura, a sociedade em geral falham no processo de formação do ser humano enquanto pessoa, sujeito, cidadão de um coletivo. Dessa maneira, a proliferação da imagem pode representar o esvaziamento da essência da humanidade, onde a pessoa passa a ser considerada mais como marca, telespectador e consumidor, o que é capaz de reduzi-la à inércia e levá-la à morte em seu ser espírito e mistério humano. O assunto terá continuidade nas duas próximas publicações.

Sobre o autor

Miguel Debiasi

Frei capuchinho. Atualmente é pároco da Paróquia Cristo Rei, de Marau, RS, e Conselheiro do Governo Provincial, eleito no dia 04 de setembro de 2014. Mestre em Filosofia e Teologia.Autor do livro Teologia da Tolerância – um novo modus vivendi cristã, publicado em 2015, pela ESTEF, Escola de Espiritualidade e Teologia Franciscana. Também escreve artigos e crônicas.

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