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Explosão da desigualdade, a maior desde 1960

Miguel Debiasi

A desigualdade social é questão para uma reflexão mundial, portanto, de toda a humanidade. Os seres humanos solidários desejam buscar uma resposta para o aumento da desigualdade social, bem como uma solução para esta problemática que causa sofrimento a uma elevada percentagem da humanidade. Neste debate, inúmeros intelectuais, militantes e agentes sociais e organismos não governamentais se unem em prol de uma civilização mais digna.

A desigualdade social é uma problemática vinculada a vários fatores, sendo os mais implicados a desigualdade econômica, a falta de acesso aos direitos sociais, a carência de políticas públicas, as limitações do sistema democrático, o cerceamento dos movimentos populares, os privilégios nas oportunidades. No cenário nacional e regional constata-se da parte dos governos a redução de recursos e de programas de combate à desigualdade social. O menor índice de orçamento público dos últimos 50 anos no Brasil é sinônimo de retrocesso no esforço pelo combate à desigualdade social.

O cenário mundial de crescimento da desigualdade social leva os teóricos, militantes e agentes sociais a perguntarem-se: com o aumento da desigualdade social quais as consequências para a humanidade do século XXI? Evidentemente que o aumento da desigualdade social desafia toda a civilização a pensar numa economia mais solidária, em medidas e projetos que impeçam o avanço da pobreza. As desigualdades são inerentes ao sistema capitalista que divide a humanidade em dois lados sociais opostos. De um lado, bilionários como banqueiros, empresários e rentistas; e, de outro, a maioria da humanidade, como trabalhadores, professores, profissionais autônomos, desempregados, pobres.

Contudo, pessoas de ambos os lados emitem suas opiniões e soluções para a desigualdade social. Os abastados defendem a ideologia de que o capitalismo é um sistema que garante igualdade e oportunidade em todos os sentidos, como o de um cidadão comum tornar-se um empreendedor, embora na prática nunca consiga. Boa parcela dos desafortunados também acredita piamente na proposta capitalista e que o fator desigualdade social é apenas uma questão acidental da história, como a pouca sorte nos negócios e a falta de capacidade em empreendedorismo. O sociólogo australiano Karl Paul Polanyi diz que animados por uma fé emocional é comum a aceitação da mística das consequências sociais. Aceita-se que a pobreza e a desigualdade social são frutos de um certo insucesso pessoal e não de outros fatores objetivos.

Karl Paul Polanyi diz que o capitalismo move-se através de um “moinho satânico” e que pelo processo da economia liberal uma considerada parte da população é lançada à miséria e condições de vida degradantes. O filósofo Karl Marx na obra O Capital, na seção oitava intitulada Acumulação primitiva, escreve: “Depois de ter sido submetido à exploração pela força bruta, o trabalhador acaba por se submeter a ela voluntariamente”. Ou seja, o sistema é tão injusto com o trabalhador que ele não tem alternativa do que obrigar-se voluntariamente a vender sua força de trabalho, converter-se à exploração capitalista.

Na análise de Marx e Polanyi o fator desigualdade social vem na esteira da desigualdade econômica e o motor desta problemática é a exploração do trabalho feito pela separação radical do produtor e dos meios de produção. Para estes teóricos cabe ao Estado Moderno cumprir seu papel de assegurar mecanismos e de defender um conjunto de políticas públicas de combate a esta problemática. O colapso da sociedade moderna é resultado do Estado Moderno que defende que propriedade e meios de produção sejam privados e sob controle de um punhado de cidadãos burgueses. A doutora em estudo sobre a América Latina, Lena Lavinas, alerta que a decadência do estado de bem-estar social é resultado de um Estado que não possui política de transferência de renda.

Já para o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) o crescimento da desigualdade social no Brasil em 2019 é um processo rápido causado pelo desemprego, posto de trabalho sem carteira assinada. Em todo o caso, sejam quantas forem as análises, todas nos ajudam a entender o pauperismo da população brasileira e que é preciso combater os fatores da desigualdade social.

Sobre o autor

Miguel Debiasi

Frei capuchinho. Atualmente é pároco da Paróquia Cristo Rei, de Marau, RS, e Conselheiro do Governo Provincial, eleito no dia 04 de setembro de 2014. Mestre em Filosofia e Teologia.Autor do livro Teologia da Tolerância – um novo modus vivendi cristã, publicado em 2015, pela ESTEF, Escola de Espiritualidade e Teologia Franciscana. Também escreve artigos e crônicas.

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