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Classe média empobrece

Miguel Debiasi

 

Nos últimos cincos anos a classe média brasileira tem empobrecido. A lógica capitalista é da concentração de bens em poucas mãos, causando divisão e conflitos sociais. O acúmulo de capital gera crise de governabilidade e exclusão social, por tirar do Estado a capacidade de regulador da economia. O empobrecimento da classe média e o crescente número de pobres é o resultado da economia neoliberal que arruína a população brasileira.

O sociólogo Boaventura de Sousa Santos na obra O fim do Império Cognitivo escreve que as exclusões sociais e as crises de governabilidade são resultado intrínseco ao capitalismo. O capitalismo perpetua duas partes opostas. De um lado, favorece os detentores de poder econômico e que gozam da autonomia frente à comunidade de empobrecidos. De outro lado, gera uma multidão de excluídos, incapazes de reivindicar responsabilidade social dos mandatários da economia.

Esta lógica capitalista pode ser mensurada em dados estatísticos. Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Brasil entre o período 2014 e 2019, a classe média perdeu quase 6 milhões de pessoas. Em porcentagem reduziu 56,8% da população brasileira para 53,9%. Isto é, 6 milhões de brasileiros deixaram a classe média e passaram para a pobreza. Segundo o economista da FGV, Marcelo Neri, a agenda econômica pós-golpe no Brasil, congelamento de investimento, corte de direitos e de redução real do salário mínimo fizeram subir a desigualdade social, desemprego e a taxa dos desocupados e desperançados.

A separação da humanidade entre ricos e pobres, por um lado, consolida a dominação capitalista que em pleno século XXI opera sob o regime neocolonial e por outro lado, multiplica o sofrimento injusto. Os números estatísticos comprovam que a sociedade global divide-se entre ricos e pobres. No caso, o Brasil ocupa ranking do nono país de maior desigualdade social. Segundo o levantamento da FGV, em 2014 o desemprego passou de 4% para 12%. Conforme IBGE em 2014 a taxa das pessoas que viviam com uma renda mensal média de R$ 233 era de 9% e atualmente chega a 12,2%. Logo, a lógica do capitalismo contamina o ambiente social pela expansão da miséria.

Porém, para os defensores do sistema capitalista não existem dois mundo separados, dos abastados e dos famintos. Em seus discursos há esperanças até para os famintos porque o sistema vigente permite a todos competirem e disputarem o mercado com os poderosos, mesmo sendo totalmente descapitalizados. Na verdade, decorre que o sistema capitalista conduz a sociedade pelo critério do lucro e com isso beneficia os detentores do poder econômico e político.

Ademais, não aceitar a divisão da humanidade entre ricos e pobres significa ignorar da possibilidade de um conflito social entre abastados e famintos. A civilização moderna ao aumentara divisão entre ricos e pobres justifica eticamente as disputas sociais. Aos abandonados e desamparados pelo sistema capitalista não há outra saída de unir-se para reivindicar as mínimas condições para sobrevivência. Ainda que, parece ser esta uma batalha perdida visto da ganância econômica inescrupulosa dos privilegiados. Sendo assim, tudo indica maior empobrecimento da população, como da classe média que vem perdendo capital pela retração em seus ganhos.

Sobre o autor

Miguel Debiasi

Frei capuchinho. Atualmente é pároco da Paróquia Cristo Rei, de Marau, RS, e Conselheiro do Governo Provincial, eleito no dia 04 de setembro de 2014. Mestre em Filosofia e Teologia.Autor do livro Teologia da Tolerância – um novo modus vivendi cristã, publicado em 2015, pela ESTEF, Escola de Espiritualidade e Teologia Franciscana. Também escreve artigos e crônicas.

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