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A política econômica do vender a própria casa

Miguel Debiasi

 

Segundo pesquisas a maioria da população brasileira declara ser contra o plano do governo de privatizar as empresas estatais. Por conseguinte, a opinião pública remete a duas perguntas: Por que interessa aos governos privatizar? Por que o povo brasileiro é contra a política da privatização? Obviamente, está nítida desconexão entre governo e população. A desconexão é assunto de reflexão.

Agenda econômica de governo tem a maioria esmagadora da população contrária. Conforme pesquisa do Instituto Datafolha divulgada em setembro 67% declararam-se contrários à privatização das estatais. De acordo com a matéria do jornal Folha de São Paulo, divulgada em setembro, a população do Estado de São Paulo é contrária ao programa de governo estadual de privatizar nove estatais, como a Telebras, Correios, ABGF (Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias) Emgea (Empresa Gestora de Ativos) Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados), Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social), Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo), Ceitec (Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica Avançada) e Porto de Santos.

Também, segundo levantamento da TV 247, a maioria da população é contrária ao plano do governo federal e estadual de privatizar presídios, escolas, creches, universidades, parques nacionais, rodovias, portos, aeroporto e outras empresas públicas. Em todos os levantamentos, a população brasileira é contrária à política econômica de privatização. Em contrapartida, os ministros da Economia, Paulo Guedes e da Casa Civil Onyx Lorenzoni, têm afirmado que a política de privatização honra as promessas de campanha do presidente da república. Em entrevista ao jornal Valor Econômico em nove de setembro, o ministro Paulo Guedes declarou que o objetivo do governo Bolsonaro é privatizar todas as empresas estatais.

À pergunta por que interessa ao governo privatizar, a primeira resposta é a política de privatização estar ligada à ideia de economia liberal globalizada. Ou seja, fazer um Estado mínimo e não um órgão regulador dos recursos públicos. Segunda resposta, a crise do capitalismo mundial provocada pela falência dos grandes grupos de especulação econômica dos EUA só pode ser superada com ajuda dos Estados. Isto é, injetar dinheiro público aos grandes grupos econômicos mediante entrega das empresas estatais que controlam os núcleos e setores fundamentais para o sustento de uma nação. Dessa forma, grupos de especulação econômica são beneficiados com a economia e o mercado pela doação do dinheiro público. Pior, recebem favores do Estado sem a preocupação de abrir postos de trabalho. Terceiro, no caso do governo federal está clara a submissão à política econômica dos EUA, terra dos maiores grupos de especulação financeira. Então, a privatização significa tirar o que é da nação, do povo brasileiro, entregar nas mãos dos estrangeiros para seu próprio enriquecimento.

A primeira resposta por que do estar contra a privatização vem do próprio desamparo da população. A população brasileira sente-se completamente desamparada pelo governo com as reduções das políticas públicas e sociais. A segunda resposta é porque na opinião pública a privatização das estatais é como se estivesse vendendo seus próprios bens, a própria casa. Terceiro, porque o resultado da privatização é benéfico para os poderosos grupos econômicos e consequentemente prejuízo à população. Outra resposta, por manifestar-se na condução da economia o interesse do mercado ao invés do bem comum e de desenvolvimento dos serviços públicos.

Lamentavelmente, boa parte dos gestores públicos conduz a economia por dois caminhos, da privatização e ou dos aumentos dos impostos. Trata-se de duas medidas amargas para a população, uma porque se vende patrimônio e segurança econômica nacional. E, outra, o povo paga do seu próprio bolso através de mais impostos. Infelizmente, são as duas piores medidas possíveis. Ambas empobrecem o país e o povo. Logo, o povo é contrário à política de privatização do governo porque nunca vão proporcionar condições de desenvolvimento do país e da população.

 

 

Sobre o autor

Miguel Debiasi

Frei capuchinho. Atualmente é pároco da Paróquia Cristo Rei, de Marau, RS, e Conselheiro do Governo Provincial, eleito no dia 04 de setembro de 2014. Mestre em Filosofia e Teologia.Autor do livro Teologia da Tolerância – um novo modus vivendi cristã, publicado em 2015, pela ESTEF, Escola de Espiritualidade e Teologia Franciscana. Também escreve artigos e crônicas.

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