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A negação do negativo

Miguel Debiasi

            Os oprimidos, pobres, marginalizados, miseráveis são a real experiência da negação da dignidade humana. Em suas faces sofridas a manifestação violenta e desumana do sistema. Na reforma trabalhista e da previdência, o governo privilegia a pátria dos senhores e amplia a desigualdade social. A reforma mantém o mundo dos senhores intocável e torna mais penoso o dos escravos. Em razão desta subversão social é preciso afirmar posição contrária ao governo.

            A política neoliberal do atual governo aborta o futuro do país. O governo executa os interesses dos senhores do mercado mundial. Ao privilegiar os mandatários da economia mundial o governo compromete o futuro da população. Os poderosos grupos econômicos usurpam o Estado e colocam a população a serviço de seus impérios financeiros. Estes visam apenas crescimento de seu poderio econômico que impõe morte e desesperança aos desfavorecidos. Almejam governança pública que salve seu tesouro, tirando o pão da nação brasileira. O atual governo mantém a felicidade aos senhores que suplantam a esperança dos trabalhadores brasileiros. Este governo com a política neoliberal promove o colapso social às duras custas dos pobres. O imerso na opulência e no favorecimento das políticas públicas promove o cativeiro da insegurança e da violência social por tirar o pão do escravo. Talvez, logo adiante, os escravos poderiam romper em convulsão social, reagir ao sistema, às instituições públicas e ao futuro.

            De resto, as reformas pretendidas pelo governo baseiam-se exclusivamente em prover os interesses do mandatário do livre comércio. Nessas condições, as riquezas concentradas em poucas mãos abatem o presente e o amanhã. Conduzidos por essa política econômica o futuro do país será o do abismo entre os privilegiados e os empobrecidos. Com efeito, ao aprovar mudança nas leis trabalhistas e da seguridade social o governo brasileiro considera-se cumpridor do dever com a política econômica liberal do Fundo Monetário Internacional (FMI). Esta política governamental retira o Estado da economia e entrega o comando ao setor privado. Este almeja ganhar com a privatização da previdência social, congelamento do orçamento para a saúde, educação, habitação, segurança, o lazer, a cultura e o saneamento básico. Então, ao submeter o Estado brasileiro à política econômica liberal do FMI, não resta outra atitude aos cidadãos de bem senão protestar contra o governo pela sua incapacidade de defender benefícios da população.

Para os cristãos, na leitura teológica as dores dos pobres e dos fracos constitui o sofrimento de Deus: “tive fome e destes-me de comer; tive sede e destes-me de beber; estava nu e destes-me de vestir; adoeci e visitastes-me; estive na prisão e fostes ter comigo” (Mt 25,35-36). Pois bem, se Deus sofre com a situação do pobre, compreende que o sofrimento das minorias é uma negação da dignidade humana. Como é da natureza de Deus, o negativo como a morte, a exploração, a miséria, precisam ser negados, banidos. E da mesma maneira, na esperança de um futuro melhor para a nação não podem existir senhores e escravos, apenas cidadãos conscientes, de vida digna e de iguais direitos.

 

 

Sobre o autor

Miguel Debiasi

Frade da Província dos Capuchinhos do Rio Grande do Sul. Mestre em Filosofia (Universidade do Vale dos Sinos – São Leopoldo/RS). Mestre em Teologia (Pontifícia Universidade Católica do RS - PUC/RS). Doutor em Teologia (Faculdades EST – São Leopoldo/RS).

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