Uso precoce do plasma convalescente tem mais eficácia no tratamento da Covid-19, explica infectologista do Hospital Virvi Ramos
Em três meses, 38 pacientes já foram beneficiados com o procedimento. Tratamento experimental segue em estudo.
Desde a primeira transfusão de plasma convalescente como alternativa para tratamento de pacientes com da Covid-19, ocorrida em 26 de maio, no Hospital Virvi Ramos, em Caxias do Sul, 38 pessoas já passaram pelo procedimento. A instituição foi a primeira a adotar o método no Estado, por meio de uma parceria com o Hemocentro Regional da cidade (Hemocs).
A técnica ainda segue em estudo, por meio de uma pesquisa autorizada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), que é responsável pela avaliação e acompanhamento dos aspectos éticos de todas as pesquisas envolvendo seres humanos. Como ainda está em andamento, o estudo não possui dados conclusivos, mas a médica infectologista do Hospital Virvi Ramos, Andréa Dal Bó, afirmou à Tua Rádio São Francisco que já possível observar alguns resultados. “As pessoas que recebem o plasma o mais precocemente possível, ou seja, até 14 dias após o início dos sintomas, e que recebem um número de anticorpos maior têm uma evolução melhor. Muitas vezes a gente consegue evitar a intubação ou consegue retirar da ventilação mecânica mais precocemente”, afirmou.
Ainda durante entrevista, Andréa explicou que o estudo seguirá até que a transfusão seja realizada em 50 pacientes. A partir dessa etapa, serão coletados os dados para análise e publicação dos resultados da pesquisa. Ouça a entrevista completa AQUI.
Desde que o Hospital Virvi Ramos adotou o protocolo de utilização do plasma, o tratamento foi indicado para todos os pacientes diagnosticados com a Covid-19 que necessitaram de Terapia Intensiva. Porém, devido à incompatibilidade de tipagem sanguínea com disponibilidade em estoque, nem todos conseguiram receber.
Dentre os 38 pacientes beneficiados até o momento, 12 já tiveram alta hospitalar, 13 faleceram e outros 13 seguem recuperação internados em setor clínico ou na UTI.
Importância da doação de plasma convalescente
Devido à alta demanda e à necessidade de dispor de um estoque com plasma convalescente de todos os tipos sanguíneos, o Hemocs segue realizando a captação de doadores.
Para doação de plasma por meio do chamado “sangue total”, que se refere à doação convencional de sangue, é necessário ter testado positivo para Covid-19, pelo exame PCR ou teste sorológico, além de estar recuperado e sem sintomas há, no mínimo, 28 dias.
Podem doar homens e mulheres, entre 16 e 69 anos. No caso das mulheres, serão aceitas para doação aquelas que tiveram até duas gestações ou abortos. Na doação, ocorre a realização do teste sorológico para a detecção dos anticorpos.
Na doação por aférese, alguns pontos divergem do método através do sangue total. Também é necessário ter testado positivo para Covid-19, pelo exame PCR ou teste sorológico, e estar recuperado e sem sintomas há no mínimo 28 dias.
No caso dos homens, podem doar aqueles entre 18 e 59 anos. Há uma realização prévia de teste sorológico para detecção dos anticorpos e bloco sorológico. O plasma é destinado para o projeto de pesquisa junto ao Hospital Virvi Ramos (o projeto de estudo aprovado contempla apenas homens).
Para as mulheres, a idade é de 18 até 59 anos. Também serão aceitas mulheres que tiveram até duas gestações ou abortos. Ocorre, igualmente, a realização prévia do teste sorológico para detecção dos anticorpos e bloco sorológico. O plasma é destinado para uso compassivo.
A seleção dos doadores de plasma é feita pelo Hemocs e passa por avaliação rigorosa. As doações precisam ser agendadas pelos telefones (54) 3290-4543 e (54) 3290-4580 ou por meio do whatsapp (54) 9929-7491. O Hemocs atende de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h30min às 17h30min e aos sábados das 8h até 12h, na rua Ernesto Alves,2260, ao lado da UPA Central.
O que é plasma convalescente
O chamado plasma convalescente é a parte líquida do sangue coletada de pacientes que se recuperaram da infecção pelo novo coronavírus. Após se curar da doença, o sangue do indivíduo contém anticorpos que, ao serem utilizados em um paciente em estado grave, podem ajudar na diminuição da carga viral da pessoa infectada e consequentemente a melhora do quadro clínico.
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