Caminhantes de Guaporé demonstram fé e devoção
Aproximadamente 20 devotos percorreram mais de 100 quilômetros até o Santuário de Nossa Senhora do Caravaggio, em Farroupilha
Foto: Divulgação
Movido pela fé, um grupo de aproximadamente 20 pessoas – denominado “Caminhantes de Guaporé” - percorreu mais de 100 quilômetros a pé, entre as cidades de Guaporé e Farroupilha, ambas na Serra Gaúcha, para demonstrar sua devoção à Nossa Senhora do Carvaggio. O grupo, que há cinco anos realiza a caminhada, enfrentou neste ano condições climáticas adversas. Nem mesmo o frio, a chuva e as estradas irregulares, ingredientes que não eram esperados pelos devotos, fizeram com que eles perdessem o objetivo de chegar mais uma vez ao Santuário para agradecer as graças recebidas e pedir a benção de Nossa Senhora.
Durante o trajeto, além das adversidades do tempo, os caminhantes enfrentaram o cansaço no corpo e principalmente as bolhas nos pés, já que os calçados e as meias ficavam molhadas por um longo período. A empresária Izabel Maria Boni, 50 anos, efetuou sua caminhada mais longa para o Santuário de Nossa Senhora Caravaggio. Ela e mais dois devotos saíram na quinta-feira, dia 19, de Guaporé, enquanto o restante do grupo deslocou-se na sexta partindo da cidade vizinha de Dois Lajeados. Izabel fez um relato dos momentos vividos junto aos caminhantes guaporenses.
“Partimos de Guaporé na quinta-feira às 7 horas e o clima era de muito frio. Chegamos ao Distrito de Santa Bárbara, em São Valentim do Sul, por volta das 17 horas, e dormimos no salão. Percorremos 39 quilômetros e aguardamos o outro grupo para que pudéssemos caminhar até Santa Tereza (mais 20 Km de percurso). No dia seguinte partimos, mesmo com os pés doloridos, para Bento Gonçalves. Apesar das dores, tinha a sensação de dever cumprido, pois superava os incômodos”, disse.
Izabel salientou que durante a madrugada, em Bento Gonçalves, acordou e não conseguiu mais dormir de tantas dores nos pés.
“Pensei comigo mesma. Não vou conseguir ir a pé até lá (Santuário Nossa Senhora do Caravaggio) de manhã. Refleti: Se Nossa Senhora quisesse que eu cumprisse o trajeto, teria que me ajudar. Acordei, enfaixei bem os pés e seguimos a caminhada. Em determinado momento não tinha mais forças para seguir, pois os pés começaram a inchar muito. Logo surgia uma força maior e graças a Nossa Senhora do Caravaggio consegui cumprir a promessa de concluir mais uma caminhada junto ao grupo. A sensação que tive, ao avistar o Santuário, foi de paz”, afirmou.
O professor de educação física Moacir Mercalli, 53 anos, que realizou o percurso completo desde Guaporé até o Santuário pela primeira vez, se emocionou ao término da caminhada.
“É uma experiência muito feliz. Vim agradecer a tudo que Deus me deu”, disse Chiquinho, como é conhecido na comunidade guaporense.
Durante todo o trajeto, os “Caminhantes de Guaporé” tiveram o apoio de um microônibus. Ao chegarem ao Santuário de Nossa Senhora do Caravaggio no domingo, dia 22, pela manhã, os devotos acompanharam as celebrações religiosas, pediram graças, almoçaram e posteriormente retornaram para Guaporé, em busca de novos desafios.
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