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Apenas 60% do lixo reciclável de Caxias do Sul é aproveitado, alerta presidente da Cooperativa Paz e Bem

por Alice Corrêa

Falta de educação ambiental e descarte incorreto comprometem trabalho dos recicladores e enterram oportunidades de geração de renda, afirma Tiago Pavelski

Foto: Pietra Lima/Câmara Caxias

Durante a sessão ordinária da Câmara de Vereadores da última quinta-feira (8), o presidente da Cooperativa Paz e Bem, Tiago Pavelski, alertou para um problema persistente em Caxias do Sul: apenas 60% do material reciclável coletado no município é efetivamente aproveitado. Os outros 40% acabam descartados por estarem contaminados com resíduos orgânicos ou materiais impróprios.

Segundo Pavelski, a cooperativa — que é considerada a maior do Rio Grande do Sul no ramo da reciclagem — é responsável por processar cerca de metade dos resíduos seletivos da cidade, contando com o trabalho de 90 cooperados. Mesmo assim, a separação inadequada feita pela população compromete a triagem e reduz o potencial de reaproveitamento.

“A população ainda não tem o hábito de separar corretamente o lixo reciclável. Encontramos com frequência cacos de vidro, lixo hospitalar e material orgânico misturado ao reciclável, o que além de inviabilizar o reaproveitamento, coloca em risco a saúde dos trabalhadores”, destacou o presidente.

Perda de renda e críticas ao sistema atual

Pavelski enfatizou que a destinação incorreta dos resíduos impacta diretamente na geração de renda para dezenas de famílias que atuam na reciclagem. Ele calcula que o volume descartado de forma inadequada é equivalente a 10 caminhões de coleta da Companhia de Desenvolvimento de Caxias do Sul (Codeca) por dia, que sequer chegam a passar pela cooperativa.

“Quando esse material é enterrado, não estamos apenas jogando lixo fora. Estamos enterrando oportunidades de trabalho e de renda para pessoas que, em muitos casos, encontram na Paz e Bem sua única chance de inserção no mercado”, afirmou.

O presidente também criticou o modelo de contêineres utilizados pela Codeca, alegando que permanecem abertos durante todo o dia, transbordam e acumulam água em períodos de chuva, piorando ainda mais a situação do lixo descartado.

Apelo por fiscalização e visitas às cooperativas

Durante sua fala, Pavelski solicitou aos vereadores que realizem visitas às cooperativas de reciclagem da cidade para conhecerem de perto a realidade enfrentada pelos trabalhadores. Ele defendeu que o poder público intensifique a fiscalização sobre o descarte irregular, com atenção especial aos grandes geradores de resíduos, como restaurantes, e também à atuação dos catadores independentes.

“A reciclagem não pode ser tratada apenas como uma questão de limpeza urbana, mas sim como uma política de inclusão social e de desenvolvimento sustentável”, concluiu.

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