O Motor da Reciclagem em Caxias do Sul: Desafios e luta por reconhecimento na Associação Girassol
Liderada por Tatiane Champe, a Associação Girassol (Ana Rech) detalha o esforço diário de triagem e expõe a queda de 70% na qualidade do material devido à coleta em contêineres na área central.
Caxias do Sul tem seu sistema de gestão de resíduos sustentado por uma rede de 12 associações e cooperativas de recicladores. Em Ana Rech, a Associação Girassol, liderada por Tatiane Champe, é o epicentro dessa atividade vital, que transforma o descarte seletivo em sustento e matéria-prima.
Tatiane, cuja história pessoal se confunde com a luta pela reciclagem — ela já foi catadora de rua antes de fundar a associação em 2012 —, detalha o complexo processo que garante a sustentabilidade do negócio familiar e social.
A Associação Girassol recebe o material coletado pela Codeca e inicia imediatamente o processo de triagem. Os resíduos são descarregados, rasgados das sacolas, sobem pela esteira e são separados manualmente. Cada associado é encarregado de classificar um tipo de material, que é colocado em grandes sacos (bags).
O material triado é prensado em fardos. Quando a Associação atinge cerca de 60 fardos (uma carga mista), é realizada a venda. O dinheiro arrecadado é crucial: primeiro, são quitadas as despesas fixas, como o aluguel de $R\$ 5.000$, além de custos com manutenção, água e luz. Somente depois o valor restante é dividido entre os associados. Tatiane garante que quase 100% do material com valor de venda que chega à Associação é recuperado, classificado e vendido.
O principal desafio da reciclagem em Caxias não está na triagem, mas na qualidade do material que chega. Tatiane relata que, enquanto a coleta manual nos bairros apresenta uma separação excelente por parte dos moradores, a área central, onde há contêineres, compromete severamente o trabalho.
A mistura de lixo orgânico, restos de construção, madeira, e outros rejeitos dentro dos contêineres de seletivo causa uma grande contaminação. Segundo a presidente, esse problema reduz o aproveitamento do material da noite e madrugada para apenas 20% a 30%, gerando perda de tempo e de renda para os associados.
Para aumentar a eficiência da reciclagem e a remuneração dos catadores, Tatiane deixou orientações práticas para os moradores de Caxias:
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Não Precisa Lavar: Não é necessário lavar potes, vasilhames ou caixinhas. O ato de lavar gasta água e contamina o solo. Basta garantir que o material esteja seco e separado do orgânico.
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Separação: Mantenha o lixo orgânico (restos de comida, papel higiênico, fraldas) estritamente separado do seletivo (seco).
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Composteiras: Para o lixo orgânico em apartamentos, ela sugere a adoção de composteiras, uma prática que transforma os resíduos de cozinha em adubo, beneficiando o meio ambiente e o morador.
A persistência de Tatiane no trabalho é motivada por uma profunda admiração pela causa, herdada de seu pai, e pelo desejo de garantir um futuro digno aos seus filhos, que hoje financiam seus estudos com a renda da Associação.
Tatiane destaca que os recicladores são, na verdade, agentes ambientais que prestam um serviço gratuito ao município, mesmo pagando aluguel para trabalhar. O maior desejo, hoje, é obter apoio da administração municipal para conseguir um terreno próprio para a Associação, visando aumentar a renda e garantir mais estabilidade para as famílias.
Ouça o áudio da entrevista completa e detalhada (acima).
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