Histórias e fatos que marcaram os 50 anos da Rádio São Francisco
Texto de Jorge Alves Junior e Rodrigo Fantinel, alunos de Jornalismo da UCS
A Rádio São Francisco nesses 50 anos de atividades passou por diversas mudanças. Comunicadores, jornalistas, profissionais técnicos e operadores de áudio foram deixando suas marcas e fazendo história. Ao longo desses 50 anos, a rádio seguiu se atualizando tecnicamente e no exercício da comunicação, caminhando para o futuro sem perder a sua identidade, respeitando e priorizando o seu maior patrimônio: o ouvinte.
Um dos marcos na história da rádio começa a ser definido no ano de 1997, quando a emissora FM, possuía uma programação adulta (numa época em que o computador estava em fase de implantação), aposta em um projeto audacioso para a época. Passa a ser construída uma rede de rádios, com o objetivo de ser a primeira emissora via satélite no interior do Estado. A conquista chega em 1999, após diversas pesquisas sobre público e com relação ao estilo de rádio, que apontam para uma programação eclética, que tocasse desde o popular até as novidades da música jovem. A partir disso, surge a ideia de chamar a emissora de Maisnova. Depois que a rede estava montada, com comunicadores selecionados, no dia 10 de março de 1999, entrava no ar a Rede Maisnova FM, no lugar da até então Rádio São Francisco 98,5 FM.
“ Para contar a história dos 50 anos temos que ir muito além dos 50 anos” Frei João Romanini
Missão
Na nossa missão, propomos uma cultura de paz e bem. Não queremos converter, nós queremos evangelizar a cultura, colocar elementos baseados no evangelho dentro da sociedade. Nesses 50 anos nós tivemos uma presença grande e cada emissora tinha seu nome, Lagoa Vermelha era Cacique, em Soledade era Cristal, e assim por diante, e ainda elas têm esse nome. Com o advento da FM, também foram sendo adquiridas emissoras. A exemplo de Caxias do Sul, sempre trabalhamos na expectativa de futuro, de avanço tecnológico.
Porte técnico
A rádio é uma referência em inovação e qualidade no setor de comunicações, olhando a partir do interior do estado. Para você ser eficiente na comunicação, tem que ter equipamentos de qualidade, a partir do momento das pesquisas, as pessoas querem qualidade de áudio. Temos o melhor transmissor, a melhor antena, o melhor processador para o ouvinte, temos que ter o melhor áudio da cidade, nós investimos muito nessa parte técnica, para que o nosso conteúdo tenha qualidade na produção, temos que apresentar uma qualidade na entrega. Investimos muito, queremos ser uma referência de comunicação.
Profissionais
Nós abrimos as portas para os novos profissionais, atrás disso tem além da qualidade a formação de pessoas. Você traz os valores primeiros da tua vida, a família, iniciando no mercado os valores que a gente acredita. Responsabilidade, qualidade e ética, a gente trabalha isso com os funcionários. Acabamos tendo a escola franciscana de comunicação, onde você não faz uma conversão, mas vai colocando, a responsabilidade, a pontualidade.
Futuro
Quais são os próximos 50 anos que queremos construir, que valores que queremos colocar? Não estamos no mercado somente para vender publicidade, nós estamos aqui porque queremos colocar valores, nós temos uma vantagem em relação ao outros veículos. “Somos as duas primeiras redes de rádios geradas do interior para o interior, a rádio São Francisco AM e FM foram as protagonistas desse novo projeto de comunicação. Tivemos o impresso, tivemos a expansão do rádio AM, na década de 70 ,a aquisição e expansão do rádio FM, 30 anos depois fizemos mais um upgrade, nós tínhamos que ser eficientes nesse projeto para os novos tempos. Minamos o Rio Grande do Sul até o Amazonas. A Rede de Noticia da Amazônia abrange canais limítrofes nas divisas em línguas portuguesa, espanhola, inglesa e francesa.
Pesquisa
Atualmente, chegamos num ponto em que o AM começa a migrar para o FM. As pessoas não querem simplesmente a rádio velha em um canal novo, estamos preparando desde 2013 nossos ouvintes para uma grande novidade. Temos que pensar em construir um rádio para uma geração jovem, que escuta de uma forma diferente. Temos que entregar conteúdo para a juventude que está mais ‘mobile’.
FREI JOÃO ROMANINI
Vice-Presidente da Fundação Cultural da Serra de Garibaldi
Diretor de Conteúdos - Coordenador da Linha Editorial do Grupo dos Veículos de comunicação dos Capuchinhos, existente há 108 anos. Há 121 anos os Freis Capuchinhos estão presentes no Rio Grande do Sul, tendo como protagonista o jornal Correio Riograndense. No rádio, iniciou com as emissoras de Soledade e de Lagoa Vermelha.
“Sempre vai precisar de um técnico para ligar, consertar e desligar um equipamento” Adão de Oliveira
Toda pessoa que inicia uma carreira no rádio é porque ouviu e aprendeu a gostar. Comigo não foi diferente. Eu iniciei em 1992, trabalhei em Vacaria na rádio Esmeralda como operador de rádio, naquela época, se chamava sonoplasta.
Em Caxias do Sul
Vindo para Caxias do Sul em 2001, surge o jornal Pioneiro. Evandro Fontana, que foi meu primeiro gerente de rádio, precisava de um técnico de áudio de externas, que fosse motorista, e esse foi meu começo no rádio em Caxias do Sul. O conhecimento na área técnica me abriu portas, sempre vai precisar de alguém para consertar, ligar e desligar um equipamento. Assumi na rádio São Francisco em 2007. A tecnologia vem evoluindo através dos tempos, com isso facilitando cada vez mais. Na edição de áudio e na gravação você tem que estar sempre atualizado.
Avanços tecnológicos
Nestes 10 anos que eu estou na rádio São Francisco, a evolução veio na qualidade de áudio, na qualidade dos equipamentos e nos vários estúdios que a rádio disponibiliza. Você pode transmitir ao mesmo tempo programação local para a Rede Sul de rádios ou a Maisnova FM simultaneamente, com dois estúdios diferentes, e com programação diferente a partir do mesmo local.
A importância de fazer parte da equipe da Rádio São Francisco
Para mim, nesses 25 anos de carreira, fazer parte dessa emissora é muito valoroso, é uma realização pessoal e profissional, Eu procuro me doar ao máximo, procuro ser profissional e ético, tenho a responsabilidade junto com meus colegas de entregar um produto de qualidade. Posso dizer que eu realizei meus sonhos.
ADÃO OLIVEIRA:
Responsável pela parte técnica da rádio São Francisco e transmissões externas
“Fazer o óbvio, o simples, o básico todo mundo faz; o jornalista de hoje precisa fazer o diferente” Tales Giovanni Armiliatto
A evolução dos equipamentos
Comecei no final da era dos cartuchos em 1998. Até o final dos anos 90 eram as máquinas de datilografia que ocupavam o espaço, não existiam computadores nas redações, o computador começou no início dos anos 2000.
O Rádio hoje
O Rádio é tradição, acredita que vai formando novas gerações. Um exemplo disso é a transmissão de um jogo de futebol: muitos utilizam o radinho de pilha para acompanhar. Hoje o rádio está no celular, são costumes que vão se quebrando.
O futuro do rádio
O rádio será uma adaptação a novos meios, novas possibilidades. Fui da quarta ou quinta geração que se formou em Jornalismo na UCS, paralelamente trabalhando na rádio, e na época o curso, ainda por ser novo em Caxias do Sul, contava com uma maioria de estudantes que já eram profissionais no mercado de trabalho. Hoje, infelizmente, percebe-se que o mercado está muito fechado, acabam estudando apenas e depois tentam alguma vaga dentro da Comunicação.
Forma de comunicar
Hoje é preciso que o jornalista esteja preparado, seja multifuncional, talvez não tenha a voz grave dos grandes locutores, mas o rádio ganhou grandes profissionais preparados para enfrentar diversas frentes de trabalho.
Tales Giovanni Armiliatto
Coordenador de Jornalismo Rádio São Francisco
Tales está na Rádio São Francisco desde 1º de Maio de 1998, natural de Campestre da Serra, iniciou no rádio com 13 anos, passando informações para a Rádio Fátima de Vacaria. Iniciou em Caxias como operador de áudio e operador de gravadora, tempos depois passou para a produção, como produtor de alguns programas, editor, repórter e apresentador de programas da rádio, esteve em várias viagens internacionais, dentre elas cobrindo a escolha do papa no vaticano. Atua na coordenação de Jornalismo, que possui 10 emissoras, sendo sete do grupo e três dos scalabrinianos
“Realizei todos os meus sonhos trabalhando na rádio São Francisco” José Theodoro
O início no impresso
A minha história começa mais direcionada na imprensa em 1986 em Passo Fundo, quando tinha saído do seminário, fazia Filosofia e precisava custear meus estudos. Sempre tive um sonho ser padre ou ser jornalista. Passando pela Rua 7 de setembro, no Diário da Manhã estava escrito “há vagas”. Fui contratado como revisor, e com o tempo me tornei paginador.
A chegada a Caxias do Sul
Em Caxias do Sul, comecei a trabalhar na gráfica da UCS, como fotolitógrafo. Um dia eu leio no jornal Pioneiro que se precisa de paginador. Consegui o emprego. Na parte da manhã trabalhava na UCS, e a noite no jornal, mas sempre de olho no jornalismo. Acabei fazendo vestibular para jornalismo na Unisinos. Eu tinha uma relação com a rádio São Francisco por ser ouvinte e ter amigos dentro da rádio.
O começo no rádio em Caxias do Sul
Em 28 de novembro de 1994, comecei a trabalhar na rádio. Em dois meses, já peguei a coordenação de Jornalismo, fui coordenador de jornalismo até 2005. Depois, assumi um departamento chamado Projetos e Eventos. Em 2008 assumi a coordenação de Jornalismo da Rede Sul - fiquei até 2015, depois assumi essa função que eu tenho agora, de Mídia e Estratégia, que é fazer a fusão dos veículos trabalhando a questão estratégica de como a gente se posiciona no mercado.
23 anos em 50 anos da rádio
Faz 23 anos que estou aqui. Tenho consciência que uma hora o ciclo vai encerrar, mas levo comigo toda a gratidão da rádio dos freis, toda a confiança que depositaram em mim. O dia em que sair não vou levar nenhum ressentimento, pelo contrário, até porque tive muitas oportunidades de sair da rádio, mas optei por não sair. É muito significativo: eu conheço a emissora de canto a canto, e sei o que ela significa para a comunidade.
José Theodoro
Coordenador de Mídia e Estratégia
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