Sob garoa e insatisfação, servidores municipais de Caxias do Sul decidem manter paralisação nesta quarta (21)
Prefeitura defende limite orçamentário e propõe escalonamento de reajustes até 2026; sindicato vê avanços, mas diz que ganho real segue insuficiente e greve está cada vez mais próxima
Sob garoa e clima de tensão, os servidores municipais de Caxias do Sul decidiram, em assembleia geral realizada na tarde desta terça-feira (20), manter a paralisação iniciada na segunda-feira (19). A decisão foi tomada por maioria de votos, após rejeição da nova proposta apresentada pela Comissão de Negociação do Executivo, momentos antes da reunião com os trabalhadores.
A proposta atualizada do governo municipal manteve o reajuste inflacionário de 4,83% — já quitado parcialmente em 2024 e completado no início de 2025 — e acrescentou 1% de ganho real na folha de setembro deste ano, além de 0,5% em abril de 2026. No pacote também está o reajuste escalonado do auxílio-alimentação, que passaria para R$ 854,57 líquidos em junho de 2025 e R$ 940,01 em abril de 2026, totalizando um aumento de R$ 170,64 líquidos em dois anos.
A prefeitura destaca que essa é a maior proposta de reajuste real já feita para o auxílio, além de incluir a reestruturação dos cargos e padrões salariais — com implantação progressiva entre 2026 e 2031 — e outras medidas, como o fracionamento de licenças-prêmio, aumento de concessões para a Educação e compensação de horas para os dias parados.
Apesar de reconhecer avanços em relação às rodadas anteriores, o Sindicato dos Servidores Municipais (Sindiserv) reafirmou a insatisfação com o índice de ganho real proposto, que considera insuficiente frente à atual capacidade orçamentária do município. Segundo a entidade, a despesa com pessoal representa hoje 44% da receita tributária líquida de Caxias do Sul — índice abaixo do limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal, o que permitiria uma valorização maior.
A presidente do Sindiserv, Silvana Piroli, reforçou a disposição para o diálogo, mas alertou para o aumento da insatisfação da categoria. “A proposta teve avanços em relação àquela apresentada anteriormente, mas a categoria não aceitou e a paralisação segue. Com essa decisão, a possibilidade de greve é real e está cada vez mais próxima”, afirmou.
Limites orçamentários
Presente em parte da reunião desta terça, o prefeito Adiló Didomenico afirmou que a administração chegou ao limite de suas possibilidades financeiras e que não pode comprometer o equilíbrio das contas públicas. Segundo o Executivo, qualquer concessão além do que já foi apresentado poderia afetar a sustentabilidade fiscal do município nos próximos anos.
O governo também condiciona a reestruturação de cargos à adoção de medidas de ajuste, como a redução de horas extras e ampliação da carga horária nas áreas da saúde e assistência social. Essas ações devem ser detalhadas à categoria até setembro, antes do envio do projeto à Câmara Municipal.
Próximos passos
O Sindiserv convocou nova assembleia para a manhã desta quarta-feira (21), às 8h, onde será reavaliado o movimento. Até lá, a paralisação continua e pode ser intensificada. A Prefeitura, por sua vez, não confirmou nova rodada de negociação, mas declarou que o canal de diálogo permanece aberto para tratar de outras pautas e buscar soluções conjuntas.
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