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Grupo Pereira promove a inclusão de refugiados e imigrantes

por Daniel Lucas Rodrigues

Sétimo maior grupo varejista do Brasil, dono da bandeira Fort Atacadista, emprega 816 refugiados e imigrantes de 17 nacionalidades

Foto: Karina Mendoza - Fort Atacadista Caxias do Sul/Divulgação

No mês de junho é celebrado o Dia Mundial do Refugiado (20) e o Dia do Imigrante (25). O Brasil é o destino de milhares de refugiados e imigrantes todos os anos. A abertura de oportunidades para essa população está cada vez mais presente na agenda de empresas que priorizam a diversidade e inclusão em suas políticas internas. É o caso do Grupo Pereira, sétimo maior grupo varejista do Brasil, que desenvolve estratégias inclusivas para a contratação desses perfis desde 2019. Ao todo, o grupo emprega 816 funcionários e imigrantes.

No Rio Grande do Sul, onde opera com a bandeira Fort Atacadista, são 32 funcionários oriundos de outros países, sendo 18 na unidade de Canoas, e 14 em Caxias do Sul. A maior parte dos estrangeiros que trabalham no Fort no Estado vêm da Venezuela, mas há também oriundos da Argentina, da Colômbia, do Haiti e de Cuba.

No Brasil, atualmente, são 662 refugiados e 154 imigrantes de 17 nacionalidades atuando em diversas áreas dentro da companhia. Esses colaboradores ocupam cargos como operador de caixa, auxiliar de perecíveis e repositor, além de algumas posições de liderança, como encarregado de loja e encarregado operacional - parte deles receberam promoções ao longo desse período.

Desafios e vitórias no Brasil

O venezuelano Alexander Marchan, repositor de limpeza do Fort Atacadista Canoas, é um deles. Alexander é sinônimo de resiliência e, mesmo não sendo brasileiro, ele não desiste nunca. Com 36 anos, vive há seis meses em Canoas, na Região Metropolitana no RS. Veio para a cidade com a esposa e a filha de quatro anos porque seu irmão já morava aqui, mas antes, em 2018, passou quase um ano em Manaus, e depois foi para o Peru, para depois retornar ao Brasil, desta vez para o Rio Grande do Sul. No mesmo mês em que chegou à cidade, em dezembro do ano passado, conquistou uma vaga no Fort Atacadista. “Gosto muito do trabalho. Sou bem tratado aqui pelos colegas”, conta. Mas o maior desafio de sua vida aconteceria também em Canoas, uma das cidades mais atingidas pela enchente de maio. Morador do Bairro Rio Branco, Alexander viu sua casa de dois andares ser tomada pelas águas da enchente. Do telhado, a esposa e a filha foram resgatadas de barco. Ele conseguiu resgate quatro horas depois e de helicóptero. “Tive apoio do Fort. Fiquei em um hotel em Viamão e depois fui para outro hotel em Canoas, porque minha casa ainda não está em condições de morar. Estamos fazendo a limpeza”, relata. Apesar de tantas dificuldades, ele não perde a esperança: “Tenho emprego e, graças a Deus, se tiver trabalho, tudo dá certo”.

Colega de Alexander, Yulimar Perez Gonzalez também é venezuelana e trabalha como assistente de caixa do Fort Atacadista Canoas. Extrovertida, aos 40 anos, Yulimar tem muitas histórias para contar. Há quatros anos, chegou ao Brasil por Roraima, a partir de uma vaga de trabalho conquistada graças a uma iniciativa voltada para mulheres da Agência da ONU voltada para Refugiados (ACNUR). Depois de um ano, foi para Canoas (RS), onde já está há três anos. Nesse período trabalhou na área de logística de uma empresa de varejo e conquistou a vaga no Fort há sete meses. Veio para o Brasil sozinha. “No meu país eu não tive essa experiência. É muito bom trabalhar com atendimento. Eu me dou bem com todo mundo”, conta. Em Canoas, Yulimar se casou com um cearense e agora acredita no trabalho para ajudar a conquistar seu sonho. “Eu, no momento, penso em me estabilizar aqui, para depois comprar uma casa no Brasil”, revela.

Estabilidade e o sonho da casa própria também estão na trajetória da venezuelana Karina Mendoza, de 47 anos, que trabalha como encarregada no Fort Atacadista Caxias do Sul. Morando apenas há 8 meses no Brasil, ela seguiu os passos da filha mais velha que já estava há quatro anos no país e há dois na cidade da Serra Gaúcha. “Vim para cá com minha mãe e meus dois filhos, com 10 e 17 anos. Cheguei no final de setembro e o primeiro lugar que me ofereceu um emprego foi o Fort Atacadista”, recorda. Ela começou a trabalhar como repositora em novembro, antes mesmo de a unidade de Caxias abrir. Fez treinamentos em outras cidades e começou na loja desde a inauguração, em janeiro. “Eu gosto de trabalhar, de fazer as coisas bem-feitas e procurei aprender com meus colegas desde o início”, destaca. O resultado do empenho veio em junho com uma promoção para o cargo de encarregada da seção de bazar em menos de um ano de trabalho. E agora Karina comemora a conquista de outro sonho. “Já assinei o contrato de financiamento e logo estarei em meu próprio apartamento com minha mãe e meus filhos. Agora, quero seguir conhecendo e aprendendo”, conclui.

As histórias de inserção de imigrantes e refugiados que trabalham no Fort Atacadista contrastam com a realidade mundial e até do Brasil. De acordo com entrevista para a ONU News, concedida pelo representante no Brasil do Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Davide Torzilli, em 2023, o mundo atingiu o número recorde de 114 milhões de pessoas deslocadas à força, das quais 710 mil vivem aqui no país. O retrato desta população em solo brasileiro é composto por cerca de 560 mil venezuelanos, 87 mil haitianos, 9 mil afegãos, além de pessoas de diversas outras nacionalidades. Chegam da Venezuela cerca de 400 a 450 pessoas por dia no Brasil, e a grande maioria está em situação de vulnerabilidade. A Acnur reforça a estratégia de acolhimento e integração, por meio da proteção comunitária, que encoraja o envolvimento dos refugiados na busca de soluções e na construção de políticas públicas nas comunidades onde passam a viver.

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