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Consolidação de um programa pioneiro em radiojornalismo

Adroir da Silva e Marília Alves da Rosa

Texto de Adroir da Silva e Marília Alves da Rosa, alunos do Curso de Jornalismo da UCS

No início dos anos 80, enquanto Caxias do Sul, a exemplo de outras grandes cidades brasileiras vivia a expectativa do fim da ditadura militar, num prédio localizado ao lado da igreja dos Capuchinhos, na rua General Sampaio, a Rádio São Francisco colocava no ar o primeiro programa de radiojornalismo da região da Serra Gaúcha.

Com a proposta de abordar temas relevantes para a vida caxiense da época, a proposta do “Acontece Hoje” era ser um “jornal falado”, com serviço de utilidade pública, entrevistas e temas que impactavam diretamente a comunidade, como política, economia e agricultura.

Na época, o “jornal falado” era composto por 16 notícias escritas e ia ao ar das 7h às 9h. A equipe do programa era formada por um locutor, um apresentador e mais cerca de 10 profissionais responsáveis pela produção jornalística, que transformava os fatos do dia anterior em notícias para o programa matinal.

Outra novidade trazida pelo formato foi o papel do repórter na rua, com informações ao vivo, principalmente sobre as condições de trânsito e os principais acontecimentos na área de segurança pública. “Com a unidade móvel na rua foi possível dar voz a pessoas que até então não eram ouvidas. Um exemplo eram os líderes sindicais que durante as greves entravam ao vivo explicando o porquê das reivindicações da classe operária”, explica José Theodoro, que por mais de uma década coordenou o jornalismo da rádio São Francisco.

O mundo mudou, o programa também

O novo milênio raiou trazendo consigo transformações que impactaram diretamente o modo de fazer e ouvir rádio. A internet chegou às redações, forçando os jornalistas e os veículos a se reinventarem; a forma de trabalhar já não poderia ser a mesma. Assim, pouco a pouco o programa também foi mudando para se adequar ao novo mundo.

As mudanças começaram pelo seu nome, que perdeu o Agora e passou a se chamar apenas Acontece. “Além dessa mudança, também mudamos a linguagem, saímos de uma forma sisuda, engessada de fazer radiojornalimo, para uma narrativa mais informal. Isso nos aproximou do nosso público”, enfatiza Theodoro.

Em 1997, outra mudança transformou a maneira de trabalhar da rádio. Surgia a RedeSul de Rádio, pioneira no interior do Estado a se organizar como sistema de transmissão simultânea via satélite. O novo projeto, ainda em vigor, fez com que as afiliadas recebessem pelo satélite em tempo real a programação da Rádio São Francisco. Assim, mais uma vez, há cerca de dois anos o nome do programa foi alterado, o intuito dessa vez foi unificar a linguagem de toda a rede composta pelas rádios Fátima, de Vacaria; Rádio Garibaldi, da cidade homônima; Rádio Alvorada, de Marau, Rádio Cacique, de Lagoa Vermelha; Rádio Cristal, de Soledade; Rádio Veranense, de Veranópolis; Rádio Maristela, de Torres; Rádio Aurora, de Guaporé; Rádio Sarandi de Sarandi, de Sarandi; Rádio Rosário, de Serafina Corrêa.

“A mudança foi necessária, pois como decidimos unificar os nomes e o formato dos programas de todas as afiliadas e em algumas cidades como, por exemplo, Marau, já existiam programas na concorrência com o nome Acontece, resolvemos optar pelo nome Conectado, assim já conseguimos lincar também com a questão das diversas plataformas que a internet proporciona para melhor distribuição dos programas de rádio”, ressalta o coordenador.

Pensando no ouvinte

Desde o princípio, o programa Conectado se direcionou para aqueles ouvintes que buscam por meio do rádio as principais notícias do início da manhã. A rádio São Francisco atinge um público considerado adulto. E grande parte de sua audiência é formada por ouvintes localizados no interior do município. Um dos motivos para o interior escutar a rádio se deve ao fato de que, frequentemente, temas relacionados ao setor primário são abordados nas programações. Dentro da cidade, a audiência se concretiza através da evangelização, um dos pontos de partida da São Francisco. De acordo com pesquisas, os assuntos com maior preferência estão relacionados ao comportamento, saúde, educação agricultura, religião e serviços.

Migração invisível

Há 50 anos, a rádio São Francisco 560 AM vem perpetuando sua missão de servir à comunidade. Em breve, o desafio será ainda maior: transmitir sua programação pelas ondas de Frequência Modulada (FM). Essa migração foi planejada com devida antecedência; o plano é manter o público fiel – ouvintes que têm por tradição ouvir a rádio. Em contrapartida, é fundamental introduzir na sua audiência a integração do público jovem. “O processo é lento, exige muito cuidado, é preciso tornar essa mudança imperceptível para nossos ouvintes”, assegura o coordenador de jornalismo.

Central de Conteúdo Unidade Tua Rádio São Francisco

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