Tarifas dos EUA freiam planos de investimento da indústria gaúcha, aponta FIERGS
Pesquisa mostra queda na disposição para investir, reduzir exportações e contratações; 85,7% dos embarques do RS para os Estados Unidos são afetados pela taxação.
As tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros estão minando a confiança da indústria gaúcha e freando planos de investimento. De acordo com a Pesquisa Sondagem Industrial, divulgada pela Unidade de Estudos Econômicos do Sistema FIERGS nesta terça-feira (2), o índice que mede a disposição dos industriais de investir nos próximos seis meses recuou de 59 pontos, em julho, para 54,6 em agosto.
A cautela se estende também às projeções para a demanda e as exportações. O índice de demanda caiu de 53,6 para 49,4 pontos, enquanto o de exportações recuou de 50,1 para 44,4 pontos – o menor nível desde junho de 2020. Com a perspectiva de menor atividade, as empresas planejam reduzir contratações e compras de insumos: o índice de número de empregados caiu de 51 para 47 pontos, e o de aquisição de matérias-primas, de 51,9 para 48,9 pontos.
Segundo o presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier, a ausência de perspectiva para uma solução diplomática com os Estados Unidos intensifica a insegurança. “Enquanto não tivermos uma solução concreta para o problema, o cenário é de atenção entre os industriais gaúchos. O impacto da alta das tarifas não atinge apenas as empresas diretamente envolvidas, mas gera incerteza sobre negócios futuros”, afirmou.
O Rio Grande do Sul é um dos estados mais prejudicados pela medida: 85,7% dos embarques da indústria de transformação destinados aos EUA estão sob a nova taxação.
Resultados de julho
Apesar da piora nas expectativas de agosto, a produção industrial gaúcha registrou 51,1 pontos em julho, avanço considerado dentro da normalidade em relação a junho. Já o emprego mostrou retração, com 48,8 pontos, segunda queda consecutiva.
A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) permaneceu em 70% em julho, índice avaliado como abaixo do usual (45,2 pontos), mas em patamar um pouco mais próximo do esperado em relação a junho (43 pontos).
Os estoques de produtos finais cresceram em julho frente a junho, com 51,1 pontos, tanto no índice de evolução mensal quanto no de estoques em relação ao planejado. Foi o quarto mês consecutivo acima de 50 pontos, mas no menor nível do período.
A pesquisa ouviu 164 empresas entre os dias 1º e 12 de agosto, sendo 37 pequenas, 56 médias e 71 grandes.
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