Jornalista de Caxias do Sul realiza financiamento coletivo para gravar documentário na Ucrânia
Filme vai mostrar a realidade de profissionais da comunicação no conflito com a Rússia, que já dura três anos
A invasão russa na Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022, causa o maior deslocamento de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Segundo dados do Alto Comissariado das Nações Unidas (ACNUR), cerca de 6,7 milhões de ucranianos estão vivendo em outros países.
Desde então, o mundo acompanha as informações por meio de jornalistas ucranianos que adaptaram a realidade profissional a nova rotina.
Os números são imprecisos. Porém, estima-se que entre 10 e 15 jornalistas tenham morrido na Ucrânia no exercício da profissão. Além destes, a ONG Repórteres Sem Fronteiras contabiliza cerca de 50 profissionais feridos em decorrência do conflito.
Acompanhando as informações sobre o tema desde o início, o jornalista radicado em Caxias do Sul Fernando Levinski esteve na Polônia em março e abril de 2022. Ele acompanhou a movimentação dos refugiados que, na época, utilizavam o país como a principal rota para sair da Ucrânia.
Agora, com a experiência acumulada naquela oportunidade e, atualmente, estudante do mestrado em História da Universidade de Caxias do Sul, o profissional planeja gravar um documentário para retratar a adaptação profissional dos jornalistas em meio ao conflito. “O projeto, chamado Voz do Front, tem o objetivo de mostrar a resiliência destes profissionais.
Além da adaptação ao novo cotidiano, essas pessoas mudaram radicalmente as dinâmicas profissionais”. A presença do jornalista também se mostra fundamental para dar voz àqueles que sofrem e, a partir dos registros e na divulgação de informações, proporcionam a compreensão da história a cerca do fato.
Financiamento do projeto
O financiamento coletivo, disponível por meio deste link, prevê custos de deslocamento aéreo até Varsóvia - capital da Polônia -, passagens de trem até Kiev - ida e volta -, hospedagem, seguro, edição do documentário, e outras necessidades.
Como contrapartida, a partir de valores pré-determinados, o financiador colaborativo terá acesso a benefícios diversos: nomes ou logomarcas de empresas inseridos nos créditos do documentário; acesso a um grupo restrito no perfil do Instagram @vozdofront, onde será possível acompanhar os bastidores da viagem para a Ucrânia; receberá um livro que será produzido em 2026; e um convite para uma exibição do documentário, que vai ocorrer no início do próximo ano.
Apesar da distância entre o confronto e o Brasil, o jornalista entende que é fundamental aproximar as duas realidades. “Compreender o que ocorre num ambiente conflagrado é importante para clarear o entendimento sobre reflexos próximos a nós. Por exemplo, termos receptividade aos migrantes que chegam ao Brasil”, explica.
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