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Lucio Yanel: as emoções em seus acordes

por Pablo Ribeiro

Violonista, cantor, compositor, ator e folclorista argentino, Lucio Yanel foi o entrevistado do Conectado Perfil na manhã deste sábado (23)

Foto: Pablo Ribeiro/Tua Rádio São Francisco

A história da música instrumentista gaúcha e do folclore argentino se confunde com a trajetória de vida de Lucio Yanel. Em 1982, o músico deixou a terra natal, Corrientes, na Argentina, para viver no Brasil. Desde 2008, Yanel vive em Caxias do Sul, na Serra. Entre os acordes de seu inseparável violão, ele contou suas histórias de vida no programa Conectado Perfil da Tua Rádio São Francisco, na manhã deste sábado (23).

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Lucio nasceu em 2 de maio de 1946, como Federico Nelson Giles. É filho do maquinista ferroviário Ventura Giles, e da professora Maria Concepción, já falecidos. Viveu num lar simples, ao lado de outros quatro irmãos, sendo que um deles já faleceu devido ao diabetes. A mãe ganhava pouco como professora, e o pai, se esforçava fazendo horas extras para criar a família. “A minha infância foi linda e meus pais estão na saudade. Vim de um lar de trabalhadores”, conta.

O talento de Lucio veio da vontade e da facilidade em aprender. Apesar de ser autodidata, ele tentou estudar, especialmente música. “Tentei várias vezes fazer uma universidade, mas fui um fracasso sempre, não sei por quê. Eu queria avançar, mas não passava do primeiro semestre”. Mas, convenhamos, um naco de universidade nunca fez falta na vida de Yanel, considerado um mestre para muitos instrumentistas e cantores da música gaúcha.

Foi por acaso que Lucio Yanel teve o primeiro contato com a música, mais precisamente com o violão. Aos nove anos, ele havia faltado a uma aula na escola para ir jogar futebol com os amigos. Um menino que estava assistindo ao jogo estava com o instrumento. Quando Lucio viu o violão, ficou curioso e chegou a parar de jogar. “Eu perguntei pra ele se ele queria jogar e eu deixei ele ficar no meu lugar, enquanto eu cuidava do violão. Eu fiquei apaixonado pelo violão, aí fiquei acariciando ele, mas não sabia tocar”, relembra.

Logo depois, Lucio se mudou com a família para Concórdia, na província de Entre Ríos. Quando ia para a escola, tinha que passar em frente à casa de uma família de paraguaios, que eram músicos e joalheiros. Lúcia passava pelo local e os via cantando e tocando harpa e violão, até que um dia o dono da casa lhe convidou para entrar. Neste momento, Lucio começava a ter as primeiras lições sobre música. “E eu aprendi rápido. Eu tinha nascido pra isso”. Aos 14 anos, Lucio Yanel começou a carreira como músico profissional. “Depois a vida foi se encarregando de me ensinar”.

E nas andanças da vida, Yanel teve suas inspirações para construir sua carreira de sucesso. A sua maior inspiração foi Atahualpa Yupanqui (1908-1992). “Para mim é o codificador da terra, do homem, do ar, do vento, do rio, da brisa pompeana. Para mim, é o pai do folclore pompeano, como um todo”.

Em 1971, Lucio Yanel veio para o Brasil, casualmente. Ele voltava de uma turnê que havia feito na União Soviética com o acordeonista Raul Barbosa. Yanel fez amizade com brasileiros que faziam parte do grupo. Ele recebeu o convite para visitar o Brasil e, no retorno da turnê, desembarcou em Recife (PE). Entre idas e vindas na ponte aérea Brasil-Argentina, passou ainda por Rio de Janeiro e São Paulo.

Após passar pela Bahia, Lucio fixou residência em São Paulo, onde foi proprietário de uma casa de espetáculos, porém estava no país ilegalmente. Foi no governo do militar João Figueiredo. Lucio teve de deixar o país.

Em 1982, a Argentina vivia a Guerra das Malvinas. Devido às consequências do conflito, Yanel deixou a terra natal e retornou ao Brasil, para nunca mais sair. Inicialmente, ficou por quatro meses em Passo Fundo. Um amigo lhe pediu para entregar uma partitura para um conhecido músico chamado Algacir Costa, pai de Yamandu Costa. “A família Costa tinha um conjunto chamado Os Fronteiriços. O pai me disse para eu segurar o filho dele, que à época tinha um ano e oito meses. Esse neném era Yamandu Costa, pra ter uma ideia. Será que ele tem influência minha?”.

Durante sua trajetória, Yanel firmou grandes parcerias e foi mestre de muitos músicos. Em 2001, recebeu o Prêmio Açorianos de Melhor Instrumentista Regional e de Melhor Disco Instrumental, resultado da parceria com o cantor Yamandu Costa. Em 2004 recebeu o Açorianos como Melhor Disco Regional, e em 2001 como Melhor Instrumentista de Música Regional.

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