Freis Capuchinhos participam das homenagens ao Papa Francisco em Roma
Baixar ÁudioFrei Robson, cantor e animador litúrgico em Roma, destaca legado de simplicidade, acolhimento aos pobres e promoção da paz deixado pelo pontífice falecido na segunda-feira, 21 de abril
Roma vive dias de intensa comoção desde o falecimento do Papa Francisco, ocorrido na manhã da segunda-feira, 21 de abril. Entre os religiosos que participam das homenagens na capital italiana está o Frei Robson de Aguiar Ribeiro, mineiro de Belo Horizonte, membro da Província dos Frades Capuchinhos de Minas Gerais, que atualmente reside em Roma.
Frei Robson, de 36 anos, é animador litúrgico no Colégio Internacional dos Frades Capuchinhos e também integra o coro da Diocese de Roma, sob a direção do Monsenhor Marco Frisina. Como cantor, teve a oportunidade de participar de missas e audiências com o Papa Francisco ao longo dos últimos anos. “Foram experiências que enriqueceram muito minha caminhada de fé”, afirmou o frade em entrevista concedida por telefone diretamente do Vaticano.
Ele relata que a notícia da morte do pontífice foi recebida com surpresa e tristeza, especialmente após a aparição pública do Papa no domingo de Páscoa, em que abençoou os fiéis e fez uma última passagem pela Praça de São Pedro no papamóvel. “Foi praticamente uma despedida. Na segunda, fomos surpreendidos pela notícia de sua morte. A cidade está lotada de fiéis, que querem dar o último adeus ao Santo Padre”, descreve.
Para Frei Robson, o Papa Francisco representou uma transformação histórica na Igreja. “Acredito que a história da Igreja poderá ser dividida entre antes e depois de Francisco. Ele foi um Papa de todos: próximo do povo, defensor da paz e incansável na acolhida aos pobres. Sua simplicidade e humanidade marcaram profundamente a todos que conviveram com ele, mesmo que à distância”, destacou.
O frade também lembrou momentos pessoais marcantes ao lado do pontífice, especialmente nas audiências com o povo. “Ele nunca recusava um contato. Sempre fazia questão de cumprimentar as pessoas, de olhar nos olhos. Era alguém com um coração acessível”, disse.
As cerimônias fúnebres do Papa Francisco seguem até sábado, quando será realizada a missa solene, presidida pelo Cardeal Giovanni Battista Ré. O sepultamento ocorrerá na Basílica de Santa Maria Maggiore, como era desejo do pontífice. “Será um momento histórico. A última procissão fúnebre semelhante a essa foi a do Papa Pio XII”, recorda Frei Robson.
Com relação à escolha do novo Papa, ele explica que o conclave poderá ocorrer entre 15 e 20 dias após o sepultamento. “Dos 252 cardeais atuais, 135 estão aptos a votar. E um dado interessante: 108 deles foram nomeados pelo próprio Papa Francisco, o que pode indicar uma continuidade do legado que ele construiu”, conclui.
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