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CPERS de Lagoa Vermelha se manifesta contra o 14º salário para o magistério

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Lorenson, no entanto, fez duras críticas ao sistema. Para ele, a iniciativa cria rivalidade entre turmas e desumaniza o ambiente escolar

Foto: Diones Pimentel / Tua Rádio Cacique

O anúncio do pagamento de um 14º salário para o magistério, feito pelo governo do Estado, tem gerado debates e dividido opiniões na categoria. Em entrevista Para a Tua Rádio Cacique, o professor Joarez Lorenson, presidente do CPERS em Lagoa Vermelha, avaliou a proposta e destacou preocupações em relação ao modelo adotado.

Segundo o governo, a gratificação será vinculada ao desempenho de escolas e alunos em avaliações como o SAERS e o SAEB, com metas estabelecidas a partir de índices como o Ideb. Diretores, supervisores, orientadores e secretários escolares também poderão ser contemplados, assim como estudantes, que receberiam prêmios em dinheiro conforme os resultados.

Lorenson, no entanto, fez duras críticas ao sistema. Para ele, a iniciativa cria rivalidade entre turmas e desumaniza o ambiente escolar. “A escola é um espaço de socialização. Quando você estabelece uma competição por dinheiro, transforma a educação em um jogo. O aluno com mais condições acaba sendo premiado, enquanto aquele que enfrenta dificuldades, muitas vezes sociais e econômicas, fica ainda mais excluído”, afirmou.

O presidente do CPERS ressaltou que a realidade das mais de 2.300 escolas públicas do Estado é desigual e que fatores externos, como problemas estruturais, famílias desagregadas e até a necessidade de alguns alunos trabalharem para sustentar suas casas, influenciam diretamente no rendimento escolar.

Ele também alertou para os riscos da proposta a médio prazo. “O pagamento está previsto para 2026, quando o atual governador não estará mais no cargo. Além disso, não se trata de valorização permanente. É apenas um salário extra por ano, condicionado a metas, enquanto o que defendemos é plano de carreira, concursos públicos e investimentos reais na estrutura das escolas”, destacou.

Apesar de reconhecer que parte dos professores vê a iniciativa como um ganho imediato, Lorenson reforçou a posição contrária do sindicato. “Salário digno, concurso e capacitação são o que realmente fortalecem a educação. Premiar alguns e deixar outros de fora não resolve os problemas estruturais que enfrentamos todos os dias”, concluiu.

O CPERS deve promover novos encontros com diretores e educadores da região para debater a proposta e encaminhar posicionamentos oficiais sobre os anúncios feitos pelo governo.

 

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