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Associação Cultural Mônica Bonotto presta tributo a nomes da literatura local

Baixar Áudio por Rudimar Galvan

Familiares representaram os escritores na homenagem póstuma

Dentro da programação da Feira Regional do Livro e Cultura na Praça, a Associação Cultural Mônica Bonotto (ACMB) promoveu o projeto “Nossa Terra em Palavras”, uma homenagem à literatura e aos escritores de Lagoa Vermelha.

Com o slogan “Mãos, mente e coração e as palavras brotam deste chão”, a iniciativa teve como propósito valorizar, resgatar e divulgar os autores e poetas lagoenses, reconhecendo o papel fundamental da literatura na preservação da identidade e da memória cultural do município.

Nesta edição, a ACMB realizou uma homenagem póstuma a autores que contribuíram para o cenário literário e intelectual de Lagoa Vermelha. Cada um deles foi representado por um familiar convidado, que recebeu uma lembrança simbólica em reconhecimento ao legado deixado por esses escritores.

Os homenageados foram:

Demétrio Dias de Moraes

Fidélis Dalcin Barbosa

Níveo Castellano

Davino Valdir Nepomuceno

Bartira Bittencourt

Idalécio Vitter Moreira

Elisomero Moura

Anita Berthier

Leonor Dávila Hoffmann

 

A iniciativa reforçou o compromisso da Associação Cultural Mônica Bonotto com a preservação da memória literária lagoense, destacando o valor histórico, cultural e intelectual dos autores que, com suas palavras, ajudaram a construir a identidade de Lagoa Vermelha.

 

Ignácio Dalcin, primo em segundo grau e filho afetivo, representou Fidélis Dalcin Barbosa

Fidêncio Giocondo Dalcin, nasceu em Montenegro14 de dezembro de 1915  e faleceu em  Lagoa Vermelha10 de junho de 1997.  Adotou como nome  religioso Fidélis Dalcin Barbosa, foi frei,  professor, escritor e jornalista do Rio Grande do Sul, autor de 56 livros, entre os quais, o famoso livro: Prisioneiro da Montanha. Foi correspondente e colaborador dos jornais Correio do Povo e Correio Rio-grandense. Tinha domínio da linguagem, criatividade e a habilidade de trabalhar com diferentes gêneros, como contos, romances e textos históricos. 

 

Dr. Ernani Dias de Moraes Júnior, neto, representou Demétrio Dias de Moraes.

Demétrio Dias de Moraes, nasceu em 01 de agosto de 1903 em Lagoa Vermelha. Foi alfabetizado pelos pais e viveu na fazenda até os 11 anos, fazendo trabalhos campeiros e agrícolas. Depois mudaram para a cidade onde fez escola primária e em 1915 passou a estudar na escola particular dos Missionários Protestantes e depois estudou contabilidade. Teve uma formação escolar sólida e herdou de sua mãe uma memória privilegiada, relatava histórias com riqueza de detalhes. Escreveu 17 livros, sendo eles de história de Lagoa Vermelha, contos e duas histórias infantis.

 

Maria Cristina Castellano Tocheto, neta de Nívio Castellano, foi representada por Dione Golo.

Nívio Castellano, nasceu em Lagoa Vermelha em 23 de junho de 1907 e faleceu em 2 de janeiro de 1982. Por mais vinte anos dirigiu a Secretaria   Geral da Prefeitura Municipal. Foi primeiro tenente na revolução de 30, e como advogado recebeu a Medalha Osvaldo Vergara. Além de Efemérides Vermelhenses, foi autor de inúmeros discursos sobre a história de Lagoa Vermelha.

 

Alessandra Nepomuceno, filha, representou seu pai Davino Valdir Rodrigues Nepomuceno.     

Davino Valdir Nepomuceno, nasceu em 1938 foi uma figura proeminente de Lagoa Vermelha, conhecido por suas múltiplas profissões como advogado, professor, jornalista e escritor. Ele foi proprietário do Jornal Gazeta Popular e autor de obras sobre a história local tais como: "História de Lagoa Vermelha". Por sua atuação na cidade, foi homenageado com a Medalha de Honra ao Mérito "Cidade de Lagoa Vermelha".  Sua morte ocorreu em 14 de fevereiro de 2024, aos 85 anos. 

 

Marcia Ferreira, sobrinha neta, representou Bartira Bittencourt: 

Bartira Bittencourt, nasceu em 15 de janeiro de 1937 e faleceu em 09 de fevereiro de 1981 em   Lagoa Vermelha. Realizou sua formação escolar na Escola Rainha da Paz,  Duque de Caxias, Osvaldo Cruz em Passo Fundo. Graduou-se em Pedagogia e fez Pós-graduação pela Fidene de Ijuí. Era culta, sensível e de uma melancolia sentida em seus poemas. Escreveu um livro de crônicas e poesias com Idalécio Vitter Moreira sob o título:  A Quatro Mãos.

 

Izete da Costa Moura, irmã, representou Elisomero da Costa Moura.

Elisomero da Costa Moura, nasceu em 15 de junho de 1951 e faleceu em 22 de maio de 1995. Cursou o primário e o ginasial na Escola Duque de Caxias, em Lagoa Vermelha. Graduou-se em Letras e Direito em Passo Fundo e fez pós-graduação na Universidade Federal do Paraná. Foi professor de escolas e universidades renomadas em Curitiba. Recebeu uma bolsa de estudos no Japão por ter sido professor destaque a nível nacional. Escreveu o livro, Poesias, publicado postumamente em 2005. Para ele a escrita era mais que um ofício, era uma maneira de expressar as emoções percebidas e sentidas no cotidiano. Também, foi um exímio fotógrafo que eternizou momentos especiais de seus familiares e amigos.

 

Terezinha Aliprandini, sobrinha , representou Anita Vieira Berthier.   

Anita Vieira Berthier, nasceu em 06 de outubro de 1920 e faleceu em 08 de outubro de 2003. Publicou três livros de poemas. Em 1961, Gotas de Chuva e Raios de Sol, em 1980, Pedaços de Uma Lira, e em 1996, Ponta de Lança. Do seu trabalho com a palavra brota um mundo mágico onde reinam absolutos o amor e a beleza. Seus livros foram uma declaração aos seus afetos, à natureza, ao seu chão e à vida.

 

Adelar Hoffmann, filho, representou sua mãe Leonor Luiza D’ávila Hoffmann.     

Leonor Luiza D’ávila Hoffmann, nasceu em 23 de março de 1911 em Lagoa Vermelha. Casou-se com Manoel da Cunha Hoffmann em 16 de janeiro de 1928. Expressava sentimentos, ideias e sensações através de poemas como forma de ver o mundo, conectando-se com emoções e sensibilidade.   Escreveu o livro de poesias, Maravilhas da Natureza em 1981 e outros. Faleceu em 1 de janeiro de 1999, em sua cidade natal, com 87 anos.

 

Mateus Accorsi Moreira, filho, representou seu pai Idalécio Vitter Moreira  

Idalécio Vitter Moreira, nasceu em Bagé em 24 de fevereiro de 1945 e faleceu em Lagoa Vermelha em 06 de setembro de 2004. Formado como técnico agrícola e depois em Letras. Foi professor, escritor, jornalista. Fundou em 1972 a Gazeta Popular, com os irmãos Nepomuceno. Coordenou o Concurso de Crônicas de Lagoa Vermelha, o Primeiro Encontro da Cultura Lagoense.  Em 1976, publicou Fragmentos seu primeiro livro de contos e crônicas. Recebeu inúmeros prêmios em concursos literários. Em 1978, teve seus contos publicados semanalmente no Correio do Povo e Folha da Tarde como suplementos culturais. Através da escrita expressou ideias, criou histórias e se comunicou com o público, seja de forma literária ou jornalística. Dedicou a sua vida a cultura, deixando um legado sólido para o futuro desta cidade.

 

Após as homenagens, a Associação Cultural Mônica Bonotto agradeceu a contribuição de tempo e disponibilidade de cada voluntário que permite a ACMB seguir no seu formato de trabalho movido por força voluntária, ao poder público municipal por nos permitir este espaço na programação da feira, aos órgãos de imprensa falada e escrita e a parceria da Tua Rádio Cacique no projeto Nossa Terra em Palavras.

 

Fotos: João Fernandes | Ascom

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