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‘É desesperador, mas seguimos na luta’, destaca Sindicato dos Trabalhadores Rurais

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A crise no setor leiteiro voltou a preocupar os produtores da região

Foto: Diones Pimentel/ Tua Rádio

A crise no setor leiteiro voltou a preocupar os produtores da região. Durante entrevista à Tua Rádio Cacique, a presidente da COOLAF, Carina Silva, o presidente do Sindicato Rural de Lagoa Vermelha e Capão Bonito do Sul, César Godinho, e o presidente do Sindicato Rural de Caseiros, Adailton Costa, relataram o cenário delicado vivido pelos agricultores que ainda insistem em manter a produção de leite. Segundo Carina, o preço pago pelo litro do produto chegou a R$ 1,99, valor inferior ao custo de produção, que inclui ração, energia e manutenção do rebanho. “O produtor está pagando para trabalhar. É lastimável o que vem acontecendo com o nosso setor”, lamentou. 

A dirigente destacou que a FETAG e os sindicatos têm lutado há mais de uma década pela valorização da cadeia leiteira. Contudo, a situação se agrava com o passar dos meses, fazendo com que muitos produtores abandonem a atividade. Carina ressaltou que o movimento previsto para esta semana, com mobilizações em várias regiões do estado, busca chamar a atenção das autoridades e da população para a realidade do campo. “É um sistema injusto de comercialização, que depende de importações e acordos que não favorecem quem produz aqui. O leite precisa ser valorizado pelo que representa para o país”, afirmou. 

O produtor e líder sindical César Godinho reforçou que o custo de produção é insustentável, principalmente para os pequenos agricultores. “Hoje, o quilo da ração custa R$ 2,30, enquanto o produtor recebe menos de R$ 2,00 pelo litro do leite. Ele precisa produzir quase dois litros para pagar um quilo de ração”, explicou. Godinho criticou ainda a diferença de preços pagos conforme o volume entregue: “Quem produz menos recebe até R$ 0,40 a menos por litro, o que é uma grande injustiça, porque o custo é o mesmo para todos”. 

Já Adailton Costa, de Caseiros, apresentou números que mostram a redução drástica no número de produtores na região. “Em 2010, tínhamos 285 produtores de leite em Caseiros; hoje, restam cerca de 50”, lamentou. Ele também destacou que os custos gerais da atividade se tornaram inviáveis, comparando a defasagem entre o preço do leite e o do diesel. “Quando o litro de leite valia R$ 1,50, o diesel custava R$ 3,00. Hoje o leite vale R$ 1,99 e o diesel mais de R$ 6,00. É desproporcional e desanimador”, afirmou. 

Os representantes sindicais reforçaram a importância da união dos agricultores e da pressão política por medidas que garantam a sobrevivência do setor. Entre as reivindicações estão a criação de uma política específica de comercialização do leite, a revisão dos acordos de importação e incentivos diretos à produção familiar. “O momento é delicado, mas é hora de permanecer firme. O agricultor é persistente e precisa continuar acreditando em dias melhores”, concluiu Carina Silva. 

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