"Não é para qualquer pessoa'', especialista explica quem pode usar canetas emagrecedoras
Baixar ÁudioSegundo a especialista, essas medicações atuam reduzindo o apetite, aumentando a saciedade e retardando o esvaziamento do estômago, trazendo benefícios que vão além da perda de peso, como controle do diabetes
A presidente eleita da Sociedade Brasileira de Endocrinologia Regional Rio Grande do Sul, doutora Letícia Weinert, esclareceu em entrevista à Tua Rádio Cacique o funcionamento e os cuidados necessários com os medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras, à base de análogos do GLP-1, como a semaglutida e a tirzepatida. Segundo a especialista, essas medicações atuam reduzindo o apetite, aumentando a saciedade e retardando o esvaziamento do estômago, trazendo benefícios que vão além da perda de peso, como controle do diabetes, da pressão arterial, da esteatose hepática e da apneia do sono. A popularidade se deve à eficácia comprovada, mas o tratamento precisa ser indicado com critério.
Existem diferentes opções no mercado, com graus variados de potência, frequência de aplicação e custo. A liraglutida, com aplicação diária, provoca perda de peso entre 5% e 8%. A semaglutida, de aplicação semanal, atinge entre 12% e 18%. Já a tirzepatida, a mais recente e potente, pode promover redução de 20% a 25% do peso corporal, com menos efeitos colaterais. A escolha considera o perfil do paciente, a necessidade de perda de peso, a tolerância a efeitos adversos, a praticidade de uso e a viabilidade de custo. Os critérios de indicação também são claros: pessoas com índice de massa corporal acima de 30, ou acima de 27 com doenças associadas como diabetes, hipertensão, dislipidemia ou gordura no fígado. Não é um tratamento para qualquer pessoa que deseje perder peso por razões estéticas.
Os efeitos colaterais mais comuns envolvem o sistema digestivo, como náusea, constipação, diarreia e distensão abdominal, principalmente no início do tratamento, e costumam ser manejáveis com ajuste gradual de dose. A doutora Letícia alerta contra a automedicação, que expõe o paciente a riscos sem o devido acompanhamento. Ela reforça ainda que o medicamento não substitui os pilares da saúde: é fundamental consumir proteínas em quantidade adequada e praticar exercícios de força para preservar a massa muscular durante o emagrecimento, além de manter acompanhamento com nutricionista e educador físico. Cada paciente deve ser avaliado individualmente, pois não existe um medicamento universal que sirva a todos.
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