Mais de 2 mil faltas em consultas e exames em quatro meses preocupam a Secretaria da Saúde de Lagoa Vermelha
Baixar ÁudioEntre os dados, destacam-se 245 faltas em atendimentos de clínica geral, 235 na odontologia, 212 em ginecologia e 118 em atendimentos psiquiátricos
Dados levantados pela Secretaria Municipal da Saúde apontam um número alarmante de ausências nos atendimentos públicos de saúde em Lagoa Vermelha nos últimos quatro meses: foram registradas 2.082 faltas em consultas de diversas especialidades, clínica geral e atendimentos odontológicos. Os números foram apresentados em entrevista pelo coordenador dos transportes da saúde, Gabriel Vieira, e pela enfermeira Pâmela Nunes do Amaral. Entre os dados, destacam-se 245 faltas em atendimentos de clínica geral, 235 na odontologia, 212 em ginecologia e 118 em atendimentos psiquiátricos, este último somando consultas eletivas e do CAPS. Para os gestores, o problema é ainda mais grave porque muitas pessoas relatam dificuldade para conseguir vaga, enquanto as ausências fazem com que vagas importantes deixem de ser aproveitadas por quem realmente precisa.
Além das consultas, as faltas também afetam o transporte oferecido pelo município para levar pacientes a atendimentos e exames, muitas vezes em outras cidades. Nos 81 dias úteis do período, foram registradas 166 ausências, o que representa uma média de duas a três pessoas por dia que agendam a viagem e não comparecem. Gabriel Vieira explicou que essa situação gera impactos financeiros e operacionais significativos: em muitos casos, é necessário disponibilizar veículos maiores ou mais caros para atender a demanda, e quando as pessoas faltam, o custo extra poderia ser revertido em mutirões de exames, como tomografias e colonoscopias, que têm longas filas de espera. Um caso chamou atenção: em um mutirão de exames realizado em Passo Fundo, das dez vagas disponíveis, oito pessoas não compareceram, sendo sete delas pacientes que haviam solicitado e confirmado presença previamente.
Embora o sistema de saúde permita saber quais são os pacientes que faltam, não há ainda uma regulamentação que impeça que essas pessoas voltem a agendar novos atendimentos. Pâmela Nunes explicou que o problema cria um efeito em cadeia: a falta em consultas, a desistência na realização de exames e o não comparecimento ao transporte geram sobrecarga no sistema e atrasam o atendimento para todos. Os gestores destacam que, embora algumas pessoas avisem com antecedência quando não podem comparecer, atitude que é muito elogiada, a maioria simplesmente não aparece, sem comunicação prévia. O principal pedido da Secretaria é que a população se conscientize: se não puder comparecer, basta avisar com antecedência para que a vaga seja repassada a outra pessoa que está aguardando, muitas vezes em situação de dor ou sofrimento. Gabriel reforçou que a expectativa é reduzir esses números, especialmente com a chegada do inverno, período em que historicamente as faltas costumam aumentar.
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