Associação Mão Amiga anuncia que não continuará na gestão das UPAs de Caxias do Sul
Entidade afirma que decisão foi tomada diante da falta de definição sobre a continuidade do convênio e destaca preocupação com a segurança financeira de trabalhadores, prestadores e fornecedores
A Associação Mão Amiga anunciou que não dará continuidade à gestão da UPA Central 24 Horas e da UPA Zona Norte de Caxias do Sul após o encerramento do atual convênio firmado com o Município. A entidade informou que permanecerá à frente das duas unidades até o último dia de vigência do acordo, previsto para 7 de setembro de 2026, e afirmou que pretende colaborar com o processo de transição.
A Mão Amiga assumiu a gestão das duas Unidades de Pronto Atendimento em junho deste ano, em caráter emergencial e por prazo determinado, após um chamado do Poder Público. Segundo a associação, o objetivo naquele momento era evitar a interrupção dos serviços de urgência e emergência prestados à população.
Em nota divulgada à comunidade, a entidade afirma que, durante o período de gestão, as duas unidades permaneceram funcionando de forma ininterrupta, 24 horas por dia. A associação destaca que foram mantidas equipes, insumos, alimentação, higienização, segurança e estrutura administrativa necessárias para o funcionamento dos serviços.
De acordo com a Associação Mão Amiga, a decisão de não permanecer na administração das UPAs está relacionada principalmente à proximidade do encerramento do convênio e à ausência de uma definição sobre eventual renovação.
Apesar da decisão de deixar a gestão, a Mão Amiga garante que os atendimentos continuarão normalmente até o término da vigência do convênio.
Segundo a entidade, não haverá redução de equipes, serviços ou estrutura durante esse período. A associação também afirma que todos os direitos dos médicos, profissionais de saúde e demais funcionários serão respeitados e quitados conforme a legislação trabalhista e as convenções coletivas aplicáveis.
Prestadores de serviços e fornecedores também deverão ser comunicados formalmente e, segundo a nota, terão os valores devidos devidamente acertados.
A entidade informou ainda que prestará contas da gestão à Secretaria Municipal da Saúde e aos órgãos de controle e que pretende colaborar com o Município para que a transição ocorra sem prejuízos à população.
Com a decisão da Mão Amiga, caberá ao Município de Caxias do Sul definir os próximos passos para garantir a continuidade da operação da UPA Central e da UPA Zona Norte após o encerramento do atual convênio.
No comunicado, a Associação Mão Amiga também agradeceu aos profissionais que participaram da operação das unidades durante o período emergencial.
A entidade citou médicos, enfermeiros, técnicos, recepcionistas, equipes de apoio, prestadores de serviços e voluntários, destacando o trabalho realizado em um cenário considerado difícil e em prazo reduzido.
Ao anunciar sua saída da gestão das UPAs, a associação reforçou que continuará concentrada em suas atividades de assistência social e no atendimento às pessoas em situação de vulnerabilidade.
A Mão Amiga encerrou a nota afirmando que assumir a gestão das unidades foi um compromisso com a população e que deixar a operação no momento considerado adequado, buscando manter as contas em ordem e evitar prejuízos aos envolvidos, também faz parte desse compromisso.
Confira a nota na íntegra:
NOTA PÚBLICA
“A Associação Mão Amiga, entidade civil de direito privado, sem fins lucrativos, de caráter beneficente de assistência social, vem a público prestar os seguintes esclarecimentos à população de Caxias do Sul, aos profissionais que atuam nas Unidades de Pronto Atendimento e à comunidade em geral. Em junho de 2026, atendendo a um chamado do Poder Público em contexto de urgência, a Associação Mão Amiga assumiu, em caráter emergencial e por prazo determinado, a gestão e a operacionalização da UPA Central 24 Horas e da UPA Zona Norte, por meio de convênio firmado com o Município de Caxias do Sul, por intermédio da Secretaria Municipal da Saúde. O compromisso assumido foi o de garantir que essas duas portas de urgência e emergência não fechassem e que a população continuasse a ser atendida. Esse compromisso foi cumprido. Ao longo de todo o período, as unidades permaneceram em funcionamento ininterrupto, 24 horas por dia, todos os dias, com equipes completas, insumos, alimentação, higienização, segurança e estrutura administrativa, sem qualquer interrupção do atendimento à população. O referido convênio tem vigência encerrada em 7 de setembro de 2026. Diante da proximidade desse encerramento, da ausência de definição quanto a eventual renovação e, sobretudo, da responsabilidade que esta Associação tem para com as pessoas que dela dependem, a Diretoria da Associação Mão Amiga, na pessoa de seu Presidente, Frei Jaime João Bettega, comunica que optou por não dar continuidade à gestão das Unidades de Pronto Atendimento após o término da atual vigência. A decisão foi tomada com serenidade e com plena consciência de seu alcance. Uma operação hospitalar de urgência e emergência envolve centenas de profissionais, médicos, prestadores de serviço e fornecedores, todos com direitos, salários, encargos, contratos e compromissos que precisam ser honrados com absoluta segurança. Conduzir uma estrutura dessa dimensão sob incerteza quanto à continuidade e à fonte de custeio significaria assumir riscos que recairiam justamente sobre quem menos pode suportá-los: o trabalhador que espera seu salário e o prestador que espera seu pagamento. A Associação Mão Amiga não está disposta a correr esse risco em nome de terceiros. Prefere encerrar sua participação de forma planejada, transparente e com a antecedência necessária, a permanecer sem as condições de segurança indispensáveis para garantir o cumprimento integral de todas as suas obrigações. Reafirmamos, portanto, os seguintes compromissos: Até o último dia de vigência, os atendimentos nas duas unidades seguirão sendo prestados com a mesma qualidade, sem qualquer redução de equipes, de serviços ou de estrutura. Todos os direitos dos médicos, dos profissionais de saúde e dos demais funcionários serão integralmente respeitados e quitados, na forma da legislação trabalhista e das convenções coletivas aplicáveis. Todos os prestadores de serviço e fornecedores serão comunicados formalmente e terão seus valores devidamente acertados. A Associação prestará contas de sua gestão à Secretaria Municipal da Saúde e aos órgãos de controle, com a transparência que sempre pautou sua atuação, e colaborará com o Município em tudo o que estiver a seu alcance para que a transição ocorra sem prejuízo ao atendimento da população. Por fim, a Associação Mão Amiga agradece. Agradece aos médicos, enfermeiros, técnicos, recepcionistas, equipes de apoio, prestadores de serviço e voluntários que, em um cenário difícil e em prazo exíguo, mantiveram de pé o atendimento de urgência desta cidade. Agradece à comunidade caxiense pela confiança. E reafirma que segue, como sempre esteve, dedicada às suas obras de assistência social e ao cuidado com as pessoas mais vulneráveis, missão que a acompanha desde a sua fundação. Estender a mão foi um dever assumido com alegria. Retirá-la no tempo certo, com todas as contas em ordem e sem deixar ninguém desamparado, é parte do mesmo dever.”
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