Dois anos das enchentes no RS: “desastres não são causados apenas pela natureza, mas também pela forma como a sociedade se organiza”, alerta pesquisadora
Baixar ÁudioNovos estudos indicam a possibilidade de um novo episódio de El Niño em 2026, com chuvas acima da média no Sul do país, o que amplia o risco de novos desastres.
Os eventos climáticos extremos registrados no Rio Grande do Sul nos últimos anos reforçam um alerta importante: desastres não são causados apenas pela natureza, mas também pela forma como a sociedade se organiza. A avaliação é de uma pesquisadora da área de cidades resilientes, que destaca que enchentes e tempestades devem ser entendidas como fenômenos “sócio-naturais”. Dados da Defesa Civil do Rio Grande do Sul apontam que, desde 2024, o Estado avançou na estruturação de sistemas de prevenção, com maior articulação regional e fortalecimento das defesas civis municipais, embora ainda existam lacunas significativas em equipes, capacitação e infraestrutura.
Segundo a pesquisadora Vanessa Roveda, do Grupo de Pesquisa City Living Lab, Grupo da UCS que desenvolve estudos aplicados sobre cidades sustentáveis e resilientes e do Instituto Nacional de Meteorologia indicam a possibilidade de um novo episódio de El Niño em 2026, com chuvas acima da média no Sul do país, o que amplia o risco de novos desastres. Apesar dos investimentos recentes, a capacidade de resposta ainda é considerada limitada. Muitos municípios, por exemplo, não contam com estruturas completas de emergência, como corpo de bombeiros, e ainda enfrentam dificuldades na recuperação após grandes eventos, reflexo de uma fragilidade estrutural histórica.
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