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Programa Mar Sem Lixo retira 133 toneladas de resíduos e ultrapassa R$ 1 milhão em pagamentos a pescadores

Baixar Áudio por Beverli Rocha

No Dia Internacional do Lixo Zero, iniciativa da Fundação Florestal ganha escala ao transformar combate à poluição marinha em geração de renda para comunidades pesqueiras

Foto: Divulgação

O  Dia Internacional do Lixo Zero, lembrado em 30 de março, contou com ação da Fundação Florestal, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), para destacar o avanço do programa Mar Sem Lixo, que retirou 133,17 toneladas de resíduos do oceano e de manguezais do litoral paulista desde 2022. O volume de coleta cresce de forma expressiva a cada ano, passando de 1,7 tonelada, em 2022, para 82,8 toneladas em 2025 — crescimento superior a 4.700%, o que evidencia a aceleração da iniciativa no combate à poluição marinha e sua ampliação ao longo do litoral paulista.

Esse avanço ambiental está diretamente associado ao modelo adotado pelo programa, que também se consolida como uma política de geração de renda por meio do Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). Desde o início, já foram repassados mais de R$ 1 milhão a pescadores artesanais que atuam na retirada de resíduos e na conservação dos ecossistemas costeiros. A remuneração ocorre de forma proporcional ao volume de resíduos coletados, podendo chegar a R$ 700 mensais por pescador — um incentivo que fortalece a participação das comunidades e contribui para a continuidade das ações.

“O programa mostra que é possível transformar um problema ambiental em solução sustentável, unindo conservação e geração de renda para as comunidades pesqueiras”, destaca o diretor-executivo da Fundação Florestal, Rodrigo Levkovicz.

A ampliação da iniciativa também se reflete no número de beneficiários. Durante o período de defeso do camarão, o total de pescadores participantes mais que dobrou em um ano, passando de 121, em 2024, para 274, em 2025.

Esse crescimento se mantém em 2026: apenas no mês de fevereiro, 131 pescadores já participaram das ações, indicando nova expansão da iniciativa, que hoje conta com cerca de 440 pescadores cadastrados no litoral paulista.

O aumento da participação acompanha os resultados operacionais mais recentes. No comparativo dos dois primeiros meses entre 2025 e 2026, o programa registrou aumento na coleta de resíduos, passando de 10,09 toneladas para 12,8 toneladas no ano seguinte.

Também houve crescimento no número de participantes, de 80 pescadores em 2025 para 131 em 2026.

Desenvolvido pela Fundação Florestal, o PSA Mar Sem Lixo alia conservação ambiental, geração de renda e engajamento de comunidades tradicionais ao longo do litoral paulista, com atuação em municípios como Ubatuba, São Sebastião, Cananéia, Guarujá, Bertioga e Itanhaém.

Além da retirada de resíduos, o programa também promove ações de educação ambiental e contribui para a geração de dados que subsidiam políticas públicas voltadas à proteção dos ecossistemas costeiros.

Alinhado às diretrizes da Organização das Nações Unidas para o Dia Internacional do Lixo Zero, o Mar Sem Lixo atua na redução dos impactos dos resíduos e na promoção de mudanças de comportamento ao longo da cadeia produtiva, com foco na economia circular e na preservação da biodiversidade marinha.

Apesar dos bons indicadores do programa ambiental, o desafio em proteger os oceanos ainda é enorme. O biólogo, mestre e doutor em Ecologia, Alexander Turra, também professor do Instituto Oceanográfico da USP e Diretor da Cátedra UNESCO de Sustentabilidade dos Oceanos - falou sobre o assunto em entrevista ao programa Temática. Confira o conteúdo completo em áudio (acima).

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