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14 venezuelanos chegam à Caxias do Sul

por Jeferson Ageitos

De acordo com Centro de Atendimento ao Migrante, estrangeiros vieram por conta própria e relataram casos de fome no país vizinho

Venezuelanos entram no Brasil pelo estado de Roraima, principalmente
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Nas últimas semanas, o Centro de Atendimento ao Migrante (CAM) de Caxias do Sul recebeu 14 venezuelanos. Segundo a coordenadora do CAM, Irmã Maria do Carmo dos Santos Gonçalves, os estrangeiros chegaram ao maior município da Serra Gaúcha à procura de apoio e relataram casos de fome. “Uma das famílias que pediu apoio caminhou muito, com fome e sede e com muita insegurança e medo. É uma situação muito concreta de não ter comida, a moeda (venezuelana) não tá valendo nada e tem um clima social muito tenso por conta disso. Inclusive, com ações violentas. As pessoas estão fugindo. Não foi opção (migrar). Pelo relato, essas famílias tiveram que sair para salvaguardar as próprias vidas. É um trajeto muito doloroso, muito difícil”, afirma a Irmã.

No CAM, os estrangeiros são orientados sobre os serviços públicos de saúde. A coordenadora diz que os venezuelanos procuram também informação sobre pedidos de refúgio. “Essa condição é tema de discussão a nível governamental. Há um consenso da sociedade civil que, pelas condições da Venezuela, eles (os estrangeiros) se enquadram perfeitamente na questão do refúgio. Muitas pessoas que estão vindo não têm condição de retorno ao país porque estão envolvidas, inclusive, questões de perseguição política. E há aqueles que migraram pela questão econômica. Há uma discussão nacional e parece que há uma tendência muito forte de reconhecimento de refúgio dessas pessoas”, aponta.

De acordo com informações da coordenadora do CAM, os 14 que chegaram, nas últimas semanas, vieram por conta própria. Eles têm familiares em Caxias do Sul e não fazem parte do processo de interiorização, comandado pelo Governo Federal. Essa semana, o ministro do Desenvolvimento Social, Alberto Beltrame, confirmou que o Rio Grande do Sul e o Paraná são os próximos destinos para os imigrantes venezuelanos. Até o fim de agosto, o governo deve decidir o número de migrantes e cidades para as quais serão enviados. A ideia é fazer o transporte em setembro.

O Centro de Atendimento ao Migrante de Caxias também vai participar de um grupo de trabalho que será criado pelo Comitê de Atenção a Migrantes, Refugiados, Apátridas e Vítimas do Tráfico de Pessoas de Porto Alegre. Juntas, as entidades pretendem planejar alternativas de acolhimento aos venezuelanos no RS.

E a Irmã Maria do Carmo faz um pedido aos brasileiros. “A gente tem visto um clima muito tenso lá em Roraima. (Precisamos) ter essa sensibilidade de saber que são pessoas que não estão aqui por livre e espontânea vontade. São pessoas que estão fugindo. O que elas precisam é de uma mão estendida. Embora a gente tenha as nossas dificuldades, o Brasil só tem a ganhar com pessoas que querem construir as suas vidas. É um apelo para que a sociedade seja solidária, trate todos com muito respeito e carinho”, desabafa.

No último fim de semana, houve registro de agressão a venezuelanos, depois que um comerciante brasileiro foi assaltado e agredido, no município de Pacaraima (RR), que recebe a maior parte dos migrantes. De acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de dois milhões de pessoas deixaram a Venezuela por causa da crise política e econômica.

Essa semana, o presidente Nicolás Maduro lançou um novo plano econômico que inclui, entre outras medidas, o corte de cinco zeros na moeda. Especialistas afirmam que é uma tentativa de evitar que a inflação chegue a 1.000.000%, em 2018.

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