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Fogos, viagens e calor: cuidados essenciais para proteger os animais

por Alice Corrêa

Ruídos intensos, deslocamentos e altas temperaturas colocam cães, gatos e a fauna silvestre em risco; atitudes simples podem evitar sofrimento, fugas e até mortes.

Foto: Lum3n/Pexels

O que para muitos é sinônimo de festa, para os animais pode ser motivo de pânico. Fogos de artifício, viagens e o calor intenso do verão afetam diretamente a saúde e o comportamento de cães, gatos e até da fauna silvestre. Especialistas alertam: os animais ouvem muito mais do que os humanos e reagem de forma extrema a estímulos que, para nós, parecem inofensivos.

Fogos de artifício: medo que mata

Explosões e estampidos provocam desorientação, taquicardia, tremores e salivação excessiva em cães e gatos. Em casos graves, o estresse pode levar a paradas cardíacas. Há registros de animais que se enforcam em correntes, tentam passar por grades, fogem desesperados e acabam atropelados ou desaparecem para sempre. Na natureza, aves e outros animais silvestres sofrem alterações no ciclo reprodutivo e muitos morrem em debandadas causadas pelo susto.

Veterinários recomendam medidas preventivas simples: manter os animais soltos de correntes, em ambientes fechados e seguros, com portas e janelas vedadas; usar iluminação suave e evitar juntar muitos cães no mesmo espaço, pois o medo pode desencadear brigas fatais. Para casos de agitação extrema, apenas um veterinário pode indicar sedação adequada. Identificação na coleira é fundamental em caso de fuga. Sons ambientes, como rádio ou TV ligados, ajudam a mascarar o barulho externo, assim como cobrir gaiolas de pássaros. E um alerta importante: não reforçar o medo com excesso de carinho ou proteção no momento do pânico.

Viagens: levar ou não levar o pet?

Viajar com animais exige planejamento. Quando o pet acompanha a família, deve estar sempre com coleira e medalha de identificação. Recomenda-se evitar alimentação antes do trajeto, oferecer apenas água e proporcionar um bom passeio antes da saída. Gatos devem viajar em caixas de transporte, e medicamentos contra enjoo ou estresse só podem ser usados com orientação veterinária. Durante o percurso, o animal deve permanecer seguro, sem acesso ao banco da frente, e jamais com o focinho para fora da janela.

Se a opção for não levar, a responsabilidade continua. O cuidador precisa ser de confiança, e hotéis para pets devem ser visitados previamente, com atenção à higiene e às acomodações. Objetos pessoais ajudam a reduzir a tristeza e a depressão pela ausência do tutor. Deixar um animal sozinho, mesmo com água e comida, é crime de maus-tratos, assim como o abandono — tipificado como crime federal.

Verão: atenção redobrada

O calor intenso altera o comportamento dos animais: mais sede, menos apetite e maior queda de pelos são comuns. Água fresca e limpa, sempre à sombra, é indispensável. Potes de comida e ambientes devem ser higienizados para evitar moscas, pulgas e carrapatos. A prevenção contra parasitas é investimento em saúde.

Tosas podem ajudar no conforto térmico, mas ventiladores diretamente no rosto do animal devem ser evitados. Banhos exigem cuidado com a temperatura da água e com a secagem, especialmente no fim do dia. Passeios devem ocorrer fora dos horários mais quentes, e a sombra é essencial para evitar insolação — que pode ser fatal. Animais nunca devem ser deixados em carros fechados. Cães de pele clara merecem atenção especial à exposição solar, pois podem desenvolver dermatites e até câncer.

Pequenas atitudes, como deixar um pote de água na frente de casa ou do comércio, também fazem diferença para animais que não têm quem cuide deles.

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