Você está ouvindo
Tua Rádio
Ao Vivo
00:00:00
Igreja no Rádio
05:00:00
 
 

Da sala de aula ao palco: Orquestra Som das Cordas leva talentos de Lagoa Vermelha a Passo Fundo

por Rudimar Galvan

Projeto da Casa da Cultura Athos Branco reúne cerca de 50 alunos e transforma o aprendizado do violão em experiências de convivência, disciplina e apresentações

O que começa com algumas cordas, acordes e o aprendizado de um instrumento pode ganhar novos significados quando chega ao palco. Em Lagoa Vermelha, o projeto Orquestra Som das Cordas, desenvolvido pela Casa da Cultura Athos Branco, vem transformando aulas de violão em oportunidades de aprendizado, convivência e descoberta de novos talentos.

Criado em 2022, o projeto nasceu a partir da experiência do “Violão: O Poder da Integração”, inicialmente voltado às aulas do instrumento. Com o passar do tempo, surgiu a proposta de formar um grupo para apresentações e levar ao público um pouco do trabalho desenvolvido semanalmente com os alunos. A iniciativa passou, então, a adaptar músicas de diferentes estilos para a linguagem do violão.

A mais recente experiência levou integrantes da Orquestra a Passo Fundo, onde participaram da programação da 10ª edição do Festival da UPF. O convite partiu do professor Marcos Casanova, após a participação dos integrantes como espectadores no ano anterior. A partir do convite, os alunos intensificaram os ensaios e prepararam um repertório para a apresentação.

Mais do que aprender a tocar

As apresentações são parte de um processo que vai além do domínio técnico do instrumento. Segundo o professor Diékson Biazus, responsável pelo projeto, a prática coletiva permite trabalhar aspectos como disciplina, respeito ao tempo do outro, convivência, expressão e confiança para estar diante do público.

“Quando a gente tem uma prática de conjunto”, explica o professor, os alunos precisam respeitar o momento de cada integrante, inclusive quando outro colega está realizando um solo. A experiência de subir ao palco também ajuda a desenvolver a expressão e a lidar com o nervosismo.

Para Gustavo, de 11 anos, que participa do projeto há aproximadamente cinco anos, o palco ainda traz frio na barriga, principalmente diante de um grande público. Mesmo assim, a experiência já faz parte de sua trajetória. O estudante também participa de apresentações na escola e conta que já conquistou troféus em eventos do gênero.
João Vítor, de 14 anos, está na Casa da Cultura há cerca de quatro anos. Além do violão, também toca guitarra e encontrou na preparação para a apresentação em Passo Fundo uma oportunidade para intensificar os estudos. Seu estilo preferido é o rock.


Já Paula Eduarda, integrante da orquestra há aproximadamente um ano e meio, conta que o incentivo musical começou ainda na infância, influenciada pela mãe, que toca gaita. A jovem, que tem afinidade com a música gaúcha, considera seguir carreira na área e destaca as possibilidades abertas pelo projeto, incluindo apresentações em escolas.

Cerca de 50 alunos

Atualmente, aproximadamente 50 alunos participam das atividades. As aulas são realizadas semanalmente e, para os estudantes que demonstram interesse e evolução, são realizados ensaios adicionais voltados ao repertório de apresentações.

O trabalho é desenvolvido em grupos menores, com cerca de três ou quatro alunos por vez, estratégia que, segundo o professor, permite um acompanhamento mais próximo e contribui para a qualidade do aprendizado. Desde o início das atividades com o violão, aproximadamente 300 crianças já passaram pelo projeto.
As oficinas da Casa da Cultura são gratuitas. O projeto atende crianças e adolescentes dos 7 aos 16 anos e possui uma lista de espera para os instrumentos. Conforme surgem oportunidades, novos alunos são inseridos nas aulas e na prática de conjunto.

Uma semente que pode seguir pela vida

Para Diékson, acompanhar a evolução dos estudantes é uma das principais recompensas do trabalho. Ao longo dos anos, ele já viu alunos que passaram pelas aulas chegarem à vida adulta e seguirem ligados à música.

A proposta, portanto, não está limitada à formação de instrumentistas. O projeto utiliza a música como ferramenta de desenvolvimento pessoal, estimulando disciplina, convivência, expressão e novas possibilidades para os participantes.

A apresentação em Passo Fundo representa justamente esse resultado: alunos que começaram aprendendo os primeiros acordes em Lagoa Vermelha tiveram a oportunidade de levar o trabalho para outro município, dividir o palco e mostrar que o aprendizado construído dentro da Casa da Cultura também pode ganhar novos espaços.

Entre as músicas apresentadas pelo grupo esteve “El Cóndor Pasa”, além de “Anunciação”, que encerrou a participação musical na entrevista. Mais do que executar um repertório, os jovens mostraram, através dos instrumentos, o resultado de um projeto que aposta na música como caminho para descobrir talentos e abrir possibilidades.

 

Central de Conteúdo Unidade Tua Rádio

Enviar Correção

Comentários

Newsletter Tua Rádio

Receba gratuitamente o melhor conteúdo da Tua Rádio no seu e-mail e mantenha-se sempre atualizado.

Leia Mais