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Réu confessa ter matado caminhoneiro durante segundo dia de júri em Bom Jesus

por Luiz Henrique Barreto

O depoimento coincidiu com os depoimentos da mulher e do irmão do confessor

Foto: Divulgação

O júri dos quatro acusados pela morte do caminhoneiro Luciano Boeira Melos, desaparecido em julho de 2023 em Bom Jesus, chegou ao terceiro dia nesta quarta-feira 29/07, no Foro da Comarca do município. O julgamento é presidido pela juíza Luciana Rech Slaviero Porath, da Vara Judicial da Comarca.

 

A etapa final do primeiro dia de trabalho, com os interrogatórios dos acusados, foi marcada pela confissão de um dos réus, que admitiu ter matado Luciano a tiros depois de descobrir no dia anterior um relacionamento extraconjugal entre a esposa e a vítima. O depoimento coincidiu com os depoimentos da mulher e do irmão do confessor, também réus, que atribuíram a ele a responsabilidade pela morte. O outro réu, pai da acusada, exerceu o direito de permanecer em silêncio.

 

O réu confesso indicou o local onde foi deixado o corpo da vítima, e disse que usou uma arma própria para atirar em Luciano. Contou também que o irmão o ajudou apenas a levar a motocicleta da vítima para longe do local do crime.

 

Os quatro réus, três homens e uma mulher, respondem pelos crimes de homicídio duplamente qualificado (motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima), além de ocultação de cadáver e fraude processual. Eles respondem em liberdade ao processo, e acompanharam o julgamento no Foro, ao lado dos representantes legais.

 

Luciano tinha 27 anos e era caminhoneiro. Conforme a denúncia, o crime teria ocorrido entre os dias 26 e 27 de julho de 2023, após a revelação de um caso extraconjugal entre Luciano e a ré. Os acusados então o atraíram até um local em área rural, onde Luciano teria sido surpreendido e morto. Além da mulher, são réus o marido, o pai e o cunhado dela.

 

Ao longo do dia de julgamento, foram ouvidas oito das nove testemunhas previstas, incluindo o delegado responsável pelo inquérito que orientou a acusação e a mãe de Luciano. Houve uma desistência.

 

A mãe de Luciano foi primeira testemunha a depor. Ela relembrou os últimos momentos antes do filho sair de casa sem avisar na noite do desaparecimento. Na tarde seguinte, registrou um boletim de ocorrência. A mulher disse ter passado os próximos dias com familiares em busca de Luciano.

 

O Delegado de Polícia Gustavo Costa do Amaral foi responsável pelo caso, e lembrou que a investigação iniciou com a ocorrência de desaparecimento. O depoimento seguiu por quase duas horas, com perguntas da acusação e das defesas. O agente detalhou diligências no curso da apuração, inclusive em relação à coleta e análise de dados telemáticos de celulares dos envolvidos.

 

Outras duas pessoas foram ouvidas a pedido da acusação, como informantes. Convocado pela Assistência de Acusação, um amigo disse que foi procurado por Luciano dias antes de desaparecer. A seguir, falaram duas testemunhas convocadas pela defesa de um dos réu. Uma delas, Bombeiro Civil, disse que participou por vários dias das buscas por Luciano.

 

A expectativa é de que o Tribunal do Júri seja encerrado ainda nesta quarta-feira 29/07, após os debates entre acusação e defesa, a votação dos jurados e a leitura da sentença.

 

Texto e foto: Márcio Daudt/DICOM-TJRS

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